Conforme noticiado pelo Novo Jornal, o governador Aécio Neves na montagem de um esquema capaz de alavancar sua candidatura à Presidência da República vem utilizando, sem qualquer fiscalização, o patrimônio público de Minas Gerais. Isto porque tem contado com a omissão de parte da Assembléia Legislativa e da alta direção do Ministério Público mineiro.Após utilizar-se das ações da Copasa, conforme matéria publicada pelo Novo Jornal em 19 de dezembro de 2006, intitulada “Aécio vende Copasa e investe no Rio”, transferindo para a empresa Capital Group International Inc., pertencente ao mesmo grupo econômico da Editora Abril e Folha de S. Paulo R$ 800 milhões em ações da Copasa agora através da Cemig monta a empresa RME – Rio Minas Energia Participações S/A, sem qualquer autorização legislativa para compra da concessionária de energia carioca Light, transferindo para os fundos credores da Rede Globo, GMAM Investment Founds Trust I, Foundations For Research, WRH Global Securities Pooled Trust, um crédito em ações de US$ 269 milhões, através do pagamento feito a maior que a quantidade de ações adquiridas na Bovespa pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A, na operação de compra. Este detalhe só é percebido se verificado o constante na folha 4 - II do parecer nº 06326/2006/RJ da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, que analisou e aprovou a transação. Lá consta que a RME-Rio Minas Energia Participações S/A adquiriu 75,40% da Light, embora tenha comprado e pago 79,57%, inclusive é esta a quantidade de ações constantes nas atas da Cemig que autorizaram a compra assim como é informado no próprio site da Light.Esta diferença aparece apenas como uma operação (escrituração no pregão da bolsa) e só foi possível devido a diferença entre avaliação patrimonial da empresa (valor real com deságio) e o valor pago.Trata-se, mais uma vez, da utilização da desonesta operação do “pagar a maior”, algo vulgarmente utilizado pelas empresas particulares para esconder ou desviar lucros, onde compra-se nota fria. Na compra da Light pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A a contabilidade da operação da bolsa maquiou a fraude. Neste caso específico foram utilizados profissionais conhecidos no mercado de capitais pelo alto conhecimento neste tipo de jogada.veja aqui
Este blog trata entre outras coisas da nossa política cotidiana,e, como qualquer outro veículo, tem posição política sobre os fatos que aborda.
sábado, fevereiro 3
GOVERNADOR DE MINAS, AÉCIO NEVES, PAGA US$ 269 MILHÕES DE DÍVIDAS DA REDE GLOBO
Conforme noticiado pelo Novo Jornal, o governador Aécio Neves na montagem de um esquema capaz de alavancar sua candidatura à Presidência da República vem utilizando, sem qualquer fiscalização, o patrimônio público de Minas Gerais. Isto porque tem contado com a omissão de parte da Assembléia Legislativa e da alta direção do Ministério Público mineiro.Após utilizar-se das ações da Copasa, conforme matéria publicada pelo Novo Jornal em 19 de dezembro de 2006, intitulada “Aécio vende Copasa e investe no Rio”, transferindo para a empresa Capital Group International Inc., pertencente ao mesmo grupo econômico da Editora Abril e Folha de S. Paulo R$ 800 milhões em ações da Copasa agora através da Cemig monta a empresa RME – Rio Minas Energia Participações S/A, sem qualquer autorização legislativa para compra da concessionária de energia carioca Light, transferindo para os fundos credores da Rede Globo, GMAM Investment Founds Trust I, Foundations For Research, WRH Global Securities Pooled Trust, um crédito em ações de US$ 269 milhões, através do pagamento feito a maior que a quantidade de ações adquiridas na Bovespa pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A, na operação de compra. Este detalhe só é percebido se verificado o constante na folha 4 - II do parecer nº 06326/2006/RJ da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, que analisou e aprovou a transação. Lá consta que a RME-Rio Minas Energia Participações S/A adquiriu 75,40% da Light, embora tenha comprado e pago 79,57%, inclusive é esta a quantidade de ações constantes nas atas da Cemig que autorizaram a compra assim como é informado no próprio site da Light.Esta diferença aparece apenas como uma operação (escrituração no pregão da bolsa) e só foi possível devido a diferença entre avaliação patrimonial da empresa (valor real com deságio) e o valor pago.Trata-se, mais uma vez, da utilização da desonesta operação do “pagar a maior”, algo vulgarmente utilizado pelas empresas particulares para esconder ou desviar lucros, onde compra-se nota fria. Na compra da Light pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A a contabilidade da operação da bolsa maquiou a fraude. Neste caso específico foram utilizados profissionais conhecidos no mercado de capitais pelo alto conhecimento neste tipo de jogada.veja aqui
sexta-feira, janeiro 26
CRÔNICA DE UMA QUIMERA

Estava eu no jardim brincando com meu netinho ...
- Goool! – grita o pequeno, entusiasmado. Mais uma vez, a bola acertara bem no cantinho da minha goleira improvisada – Está 10 a um, vovô! – vibra o garoto orgulhoso por estar derrotando o ancião da família. Eu, no alto dos meus 65 anos, divirto-me mas me sinto cansado devido ao esforço e às limitações físicas impostas pela idade "avançada". Mas não perco o rebolado e tento acertar a goleira dele mais uma vez.
- Isso não vai ficar assim, vou empatar! Pega essa!
Putz... meu chute foi totalmente impreciso e fraco. Algum tempo depois, a vantagem do meu neto só aumentara. Definitivamente, era chegada a hora de dar um tempo no jogo. - Vamos sentar um "bocadinho"? Vovô cansou... – sugiro.
O guri põe a bola embaixo do braço um pouco contrariado, talvez pensando que, dando uma trégua ao "humilhado" avô, o jogo pudesse recomeçar logo, logo. Sentou-se ao meu lado em silêncio, enquanto eu tentava recuperar-me do esforço, totalmente ofegante. Saquei da sacola os "apetrechos" do meu inseparável chimarrão e comecei a sorver, devagarinho, curtindo o líquido quente que saciava a minha sede e, aos poucos, recompunha minha sanidade física. Ficamos ali, em silêncio por alguns deliciosos instantes, quando o guri, com sua característica curiosidade, perguntou:
- Vovô, de onde veio o chimarrão?
A pergunta me surpreendera e, após pensar um pouco, recuperei, lá do baú da memória, a lenda do chimarrão. Comecei a narrar-lhe a história que eu ouvira há muitos anos atrás.
- A lenda da Erva–Mate conta que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana, pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar. Ele vivia sozinho com sua linda filha, Yari, que o tratava com muito carinho. Yari jamais casara pois fazia questão de permanecer na casa do pai para melhor cuidá-lo e dedicar-lhe todas os cuidados e atenção.
Dei uma pausa nas palavras e, com inevitável satisfação, percebi que meu neto estava completamente compenetrado em cada sílaba que eu pronunciava. Crianças são assim, adoram ouvir uma história nova... Mais um gole de chimarrão e retomei, com entusiasmo, o relato que absorvia todos os sentidos da minha platéia solitária...
- Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que passava por aquelas bandas. Como era de costume, acolheram o andarilho para um pernoite na sua humilde cabana, dispensando a ele os melhores cuidados. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranqüilo, entoando um canto suave e triste. Ao amanhecer, o viajante confessou ser enviado de Tupã e disse que, para retribuir-lhes a hospitalidade, atenderia a qualquer desejo dos dois, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo, pediu que lhe fossem devolvidas as forças, para que Yari se tornasse livre. O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou, ainda, Yari na deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes. Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de um canudo, preparada com folhas de uma árvore nativa da região – chamada cáa – dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato, os espanhóis adquiriram o hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até os oficiais, sem distinção de classes sociais. E aqui, no Rio Grande do Sul, o tradicional chimarrão tornou-se um salutar hábito, símbolo da hospitalidade do gaúcho, que o oferece sempre a qualquer visitante. É bebido assim – mostrei-lhe a cuia – um uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba de metal.
- Más vovô, isso se toma assim, segurando um guardanapo?
Interrompeu o garoto, com cara curiosa.
- Não, meu filho. Isso é uma outra história...
Enchi mais uma vez a cuia e, antes de retomar o relato, bebi alguns goles da bebida para retomar o fôlego, como que para "amaciar" as palavras que me sairiam da boca.
- Em 2006, os gaúchos elegeram uma paulista para governar o nosso Estado. Esta mulher usava um lenço para saborear o chimarrão. Este gesto, que em princípio causou estranheza em todo o pampa, passou a ser adotado pela classe média e logo, logo se espraiou por todas as classes, até se incorporar à nossa tradição...
O menino, de olhos arregalados, parecia não entender como uma "estrangeira" poderia ter sido a responsável por mudar, em tão pouco tempo, uma tradição arraigada na cultura da sua terra e cultivada com tanto orgulho pelo seu avô.
- Me conte mais uma pouco sobre essa mulher, vovô?
Refleti um pouco e decidi ser um pouco mais cuidadoso com as palavras
- Bom, ela era paulista, a primeira mulher e a primeira paulista a eleger-se governadora desse nosso maravilhoso Estado. No começo, ela se enrolou um pouco com nossas tradições, a ponto de afirmar, em rede nacional de televisão, que "pantalha" era uma vestimenta gaúcha.
O garoto riu. Até ele, na sua tenra idade, não entendia como alguém poderia chamar a estrutura que compõe os abajures de vestimenta? Também ri, mas continuei.
- Durante a campanha eleitoral, esta mulher negava com veemência a proposta de aumentar impostos para enfrentar a crise financeira do Estado. À época, ela qualificava essa idéia como própria de um "velho jeito de governar". Porém, depois de eleita, a primeira decisão dela, mesmo antes de assumir o cargo de governadora, foi propor o aumento de impostos. Graças a Deus, os deputados derrotaram a intenção da governadora e vetaram-lhe a iniciativa. Mas a mulher, destemida, não descansou. Resolveu reduzir em 30% os investimentos em todas as secretarias. Não conseguiu pagar os servidores públicos em dia. Também vendeu nosso Banco Estatal, que em governos anteriores fora tratado como "orgulho dos gaúchos". Esta mulher decepcionou a todos os gaúchos que lhe haviam depositado sua confiança. Mas isso não é tudo. Depois, ela...
- Amor! Acorda! Acorda que está na hora!
Fui surpreendido pela mão de minha mulher que me sacudia e me dava leves tapinhas no ombro... Então, tudo não passara de um sonho? Cadê a criança que me chamava de avô? E o chimarrão que eu estava a saborear agora mesmo? Estou confuso... Toco no meu rosto e vejo que minha pele ainda é relativamente lisa. Olho para as mãos. Sim, são as mesmas que me acompanham há 26 anos.
Meio tonto, ergo-me da cama e tateio no criado-mudo em busca do meu telefone celular. Encontrei-o... Ufa! Que alívio! Ainda estamos em 2007. Era apenas um pesadelo...
Ou não?
- Goool! – grita o pequeno, entusiasmado. Mais uma vez, a bola acertara bem no cantinho da minha goleira improvisada – Está 10 a um, vovô! – vibra o garoto orgulhoso por estar derrotando o ancião da família. Eu, no alto dos meus 65 anos, divirto-me mas me sinto cansado devido ao esforço e às limitações físicas impostas pela idade "avançada". Mas não perco o rebolado e tento acertar a goleira dele mais uma vez.
- Isso não vai ficar assim, vou empatar! Pega essa!
Putz... meu chute foi totalmente impreciso e fraco. Algum tempo depois, a vantagem do meu neto só aumentara. Definitivamente, era chegada a hora de dar um tempo no jogo. - Vamos sentar um "bocadinho"? Vovô cansou... – sugiro.
O guri põe a bola embaixo do braço um pouco contrariado, talvez pensando que, dando uma trégua ao "humilhado" avô, o jogo pudesse recomeçar logo, logo. Sentou-se ao meu lado em silêncio, enquanto eu tentava recuperar-me do esforço, totalmente ofegante. Saquei da sacola os "apetrechos" do meu inseparável chimarrão e comecei a sorver, devagarinho, curtindo o líquido quente que saciava a minha sede e, aos poucos, recompunha minha sanidade física. Ficamos ali, em silêncio por alguns deliciosos instantes, quando o guri, com sua característica curiosidade, perguntou:
- Vovô, de onde veio o chimarrão?
A pergunta me surpreendera e, após pensar um pouco, recuperei, lá do baú da memória, a lenda do chimarrão. Comecei a narrar-lhe a história que eu ouvira há muitos anos atrás.
- A lenda da Erva–Mate conta que um velho guerreiro guarani vivia triste em sua cabana, pois já não podia mais sair para as guerras, nem mesmo para caçar e pescar. Ele vivia sozinho com sua linda filha, Yari, que o tratava com muito carinho. Yari jamais casara pois fazia questão de permanecer na casa do pai para melhor cuidá-lo e dedicar-lhe todas os cuidados e atenção.
Dei uma pausa nas palavras e, com inevitável satisfação, percebi que meu neto estava completamente compenetrado em cada sílaba que eu pronunciava. Crianças são assim, adoram ouvir uma história nova... Mais um gole de chimarrão e retomei, com entusiasmo, o relato que absorvia todos os sentidos da minha platéia solitária...
- Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante que passava por aquelas bandas. Como era de costume, acolheram o andarilho para um pernoite na sua humilde cabana, dispensando a ele os melhores cuidados. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranqüilo, entoando um canto suave e triste. Ao amanhecer, o viajante confessou ser enviado de Tupã e disse que, para retribuir-lhes a hospitalidade, atenderia a qualquer desejo dos dois, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo, pediu que lhe fossem devolvidas as forças, para que Yari se tornasse livre. O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou, ainda, Yari na deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes. Quando os espanhóis por aqui chegaram, encontraram os índios guaranis dóceis e receptivos, já então utilizando uma bebida que sorviam em cabaças por meio de um canudo, preparada com folhas de uma árvore nativa da região – chamada cáa – dizendo que esta lhes havia sido dada pelo deus Tupã. De imediato, os espanhóis adquiriram o hábito e passaram a tomar o chimarrão, desde os soldados até os oficiais, sem distinção de classes sociais. E aqui, no Rio Grande do Sul, o tradicional chimarrão tornou-se um salutar hábito, símbolo da hospitalidade do gaúcho, que o oferece sempre a qualquer visitante. É bebido assim – mostrei-lhe a cuia – um uma cuia onde depositamos um pouco de erva-mate já moída e de onde sorvemos o líquido (água quente sem ferver), através de uma bomba de metal.
- Más vovô, isso se toma assim, segurando um guardanapo?
Interrompeu o garoto, com cara curiosa.
- Não, meu filho. Isso é uma outra história...
Enchi mais uma vez a cuia e, antes de retomar o relato, bebi alguns goles da bebida para retomar o fôlego, como que para "amaciar" as palavras que me sairiam da boca.
- Em 2006, os gaúchos elegeram uma paulista para governar o nosso Estado. Esta mulher usava um lenço para saborear o chimarrão. Este gesto, que em princípio causou estranheza em todo o pampa, passou a ser adotado pela classe média e logo, logo se espraiou por todas as classes, até se incorporar à nossa tradição...
O menino, de olhos arregalados, parecia não entender como uma "estrangeira" poderia ter sido a responsável por mudar, em tão pouco tempo, uma tradição arraigada na cultura da sua terra e cultivada com tanto orgulho pelo seu avô.
- Me conte mais uma pouco sobre essa mulher, vovô?
Refleti um pouco e decidi ser um pouco mais cuidadoso com as palavras
- Bom, ela era paulista, a primeira mulher e a primeira paulista a eleger-se governadora desse nosso maravilhoso Estado. No começo, ela se enrolou um pouco com nossas tradições, a ponto de afirmar, em rede nacional de televisão, que "pantalha" era uma vestimenta gaúcha.
O garoto riu. Até ele, na sua tenra idade, não entendia como alguém poderia chamar a estrutura que compõe os abajures de vestimenta? Também ri, mas continuei.
- Durante a campanha eleitoral, esta mulher negava com veemência a proposta de aumentar impostos para enfrentar a crise financeira do Estado. À época, ela qualificava essa idéia como própria de um "velho jeito de governar". Porém, depois de eleita, a primeira decisão dela, mesmo antes de assumir o cargo de governadora, foi propor o aumento de impostos. Graças a Deus, os deputados derrotaram a intenção da governadora e vetaram-lhe a iniciativa. Mas a mulher, destemida, não descansou. Resolveu reduzir em 30% os investimentos em todas as secretarias. Não conseguiu pagar os servidores públicos em dia. Também vendeu nosso Banco Estatal, que em governos anteriores fora tratado como "orgulho dos gaúchos". Esta mulher decepcionou a todos os gaúchos que lhe haviam depositado sua confiança. Mas isso não é tudo. Depois, ela...
- Amor! Acorda! Acorda que está na hora!
Fui surpreendido pela mão de minha mulher que me sacudia e me dava leves tapinhas no ombro... Então, tudo não passara de um sonho? Cadê a criança que me chamava de avô? E o chimarrão que eu estava a saborear agora mesmo? Estou confuso... Toco no meu rosto e vejo que minha pele ainda é relativamente lisa. Olho para as mãos. Sim, são as mesmas que me acompanham há 26 anos.
Meio tonto, ergo-me da cama e tateio no criado-mudo em busca do meu telefone celular. Encontrei-o... Ufa! Que alívio! Ainda estamos em 2007. Era apenas um pesadelo...
Ou não?
quinta-feira, janeiro 25
IPARCIALIDADE DA IMPRENSA

Doações Jornalísticas
E por falar em doações, consulta ao site do TSE revela que a empresa Folha da Manhã doou R$ 42.354,30 para a campanha de Paulo Renato Costa Souza (PSDB), em 27/10/2006: "Informações prestadas pelo doador FOLHA DA MANHÃ S/A CPF/CNPJ 60579703000148 para o(s) candidato(s) abaixo: Valor total das receitas R$ 42.354,30 Candidato Partido - UF Data Valor Tipo PAULO RENATO COSTA SOUZA PSDB - SP 27/10/2006 42.354,30 Recursos de pessoas jurídicas" Paulo Renato também declarou R$ 80.406,30 de despesas com a Folha, a título de "publicidade por jornais e revistas".
Basta uma consulta ao site (http://www.tse.gov.br/sadSPCE06F3/faces/careceitaByDoador.jspou http://www.tse.gov.br/sadSPCE06F3/faces/cadespRecList.jsp).
Cabem as seguintes perguntas: Por que a Folha fez doação a um candidato?
Por que a doação foi feita às vésperas do segundo turno, quando a campanha para deputado federal (caso de Paulo Renato) já havia sido decidida quatro semanas antes?
Quais os critérios utilizados pelo jornal na escolha de Paulo Renato?
Que garantias o jornal, tão cioso de sua independência e de sua linha pluralista, dá de que a doação não influencia o conteúdo editorial?
E por falar em doações, consulta ao site do TSE revela que a empresa Folha da Manhã doou R$ 42.354,30 para a campanha de Paulo Renato Costa Souza (PSDB), em 27/10/2006: "Informações prestadas pelo doador FOLHA DA MANHÃ S/A CPF/CNPJ 60579703000148 para o(s) candidato(s) abaixo: Valor total das receitas R$ 42.354,30 Candidato Partido - UF Data Valor Tipo PAULO RENATO COSTA SOUZA PSDB - SP 27/10/2006 42.354,30 Recursos de pessoas jurídicas" Paulo Renato também declarou R$ 80.406,30 de despesas com a Folha, a título de "publicidade por jornais e revistas".
Basta uma consulta ao site (http://www.tse.gov.br/sadSPCE06F3/faces/careceitaByDoador.jspou http://www.tse.gov.br/sadSPCE06F3/faces/cadespRecList.jsp).
Cabem as seguintes perguntas: Por que a Folha fez doação a um candidato?
Por que a doação foi feita às vésperas do segundo turno, quando a campanha para deputado federal (caso de Paulo Renato) já havia sido decidida quatro semanas antes?
Quais os critérios utilizados pelo jornal na escolha de Paulo Renato?
Que garantias o jornal, tão cioso de sua independência e de sua linha pluralista, dá de que a doação não influencia o conteúdo editorial?
segunda-feira, janeiro 22
A TUCANA E O PAPAGAIO

Quem achava que os ânimos do vice-governador Paulo Feijó iriam serenar, estava muito enganado. A língua afiada do vice continua a talhar a carne do governo Yeda. No ultimo domingo 21, Paulo Feijó concedeu entrevista ao Jornal NH, onde mais uma vez soltou o verbo contra o “Novo jeito de governar”, fizeram parte do repertório frases como: “...Eles nunca administraram uma carrocinha de cachorro-quente, nunca administraram a carrocinha de pipoca da esquina.”, Ao ser questionado pela reportagem sobre sua opinião em relação aos secretariado ele lascou, “Não fui ouvido sobre nenhuma secretaria. Então, não vou fazer críticas. Agora, o discurso foi um, a prática tem sido outra.”. Com relação ao jeito da governadora, “Desde a campanha a governadora sempre foi centralizadora.”. Por tudo que já foi dito pelo vice-governador em relação ao governo Yeda, esse governo promete... Vai ser sofrido para o povo gaúcho, mas as discussões entre o Papagaio e a Tucana não vai ser nada enfadonho... (hehehe).
INCLUSÃO DIGITAL DEMOCRATIZA A EDUCAÇÃO

O secretário de educação a distância do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, em entrevista ao Conversa Afiada nesta sexta-feira, dia 19, que hoje não é possível pensar em educação sem pensar em inclusão digital (clique aqui para ouvir).
Segundo Mota, a educação se torna mais democrática com a inclusão digital nas escolas. Ele disse que é preciso fazer com que “os setores menos favorecidos tenham um acesso privilegiado”.
Por isso, a prioridade do governo em 2007 é acelerar o Proinfo Rural, o programa de digitalização das escolas do campo. “Porque é no campo onde existe a maior dificuldade da inclusão digital”, disse Mota.
Para Ronaldo Mota, outro fator que ajudará na inclusão digital é a implementação da TV digital interativa na educação básica. “TV digital interativa poderá representar para a educação, especialmente a educação básica um avanço muito grande”, disse o secretário.
Nesta semana, o BNDES dobrou o volume da linha de financiamento do programa “Computador Para Todos” (clique aqui).
quinta-feira, janeiro 18
A FOTO DIZ COMO ELA VAI NOS TRATAR...

OS CORTES
Corte de 30% de custeio: Foi declarada uma possível economia de R$ 450 milhões, mais R$ 8 milhões nos CC´s totalizando R$ 458 milhões. Trata-se de algo fácil de dizer mas quase impossível de ser feito. Despesas constitucionais em Saúde e Educação são vinculadas à receita e não podem ser legalmente diminuídas. Outras secretarias, como a Segurança, já trabalham com recursos mínimos. Os números apresentados indicam, até o momento, que os recursos orçamentários dos outros Poderes estão incluídos no corte, o que não tem validade legal, pois seus recursos estão destinados no Orçamento. Esta é uma medida que só poderia ter sido implantada quando das discussões sobre a Proposta Orçamentária, relatada pelo PSDB, na Assembléia. O governo eleito preferiu calar à época. Assim, muito desta suposta “economia” dependerá da vontade dos demais Poderes e não da governadora. A busca pela equalização do déficit deve ser feita de forma racional; a despesa está longe de ser a única forma de alcançá-la. O governo apenas procura aparentar dureza, alardear o caos e conseguir adesão ao tipo de política vista na época do governo Britto, de triste memória.
Implantação do Regime de Caixa: No que tange ao Executivo essa medida tem pouco alcance, caso refira-se aos recursos destinados aos outros Poderes.
Centralização de dívidas: O objetivo de fazer novos contratos e economizar até 30% é apenas uma carta de intenções. Não se sabe se isso será possível, depende da natureza de cada contrato e da eventual disposição dos credores em negociar.
Transparência Orçamentária: O governo Olívio pôs tanto o orçamento quanto sua execução à disposição da sociedade na internet. A Lei de Responsabilidade Fiscal é um dos marcos legais da administração pública, segui-la nada mais é do que cumprir a legislação.
Suspensão de gastos ordinários por 100 dias: É uma medida irresponsável. Irá penalizar os contratados pelo Estado bem como desmantelar no curto prazo a prestação de serviços públicos.
BANRISUL EM PERIGO

Alguém ainda duvidava do Novo Jeito de Governar?
O Banrisul devia servir de ferramenta para incentivar o desenvolvimento econômico e social com geração de empregos e renda. Más neste governo esse não vai ser o papel do Banrisul. Acompanhando os fatos noticiados na mídia gaúcha damos conta que está prestes a acontecer o que em campanha alertávamos, a Privatização do Banrisul. Hoje na Página 10 de Zero Hora mais uma vez temos evidências que comprovam o que estou falando. Com o titulo "Banrisul pode ser a salvação" "Ainda não é oficial, mas na lista de alternativas para equilibrar as contas do Estado está a abertura do capital do Banrisul, com a venda de até 49% das ações. Defensor da federalização, o vice-governador Paulo Feijó acha que dificilmente um banco privado se interessaria por comprar o Banrisul se não puder assumir o controle e a gestão: -Para vender uma parte tem que fazer plebiscito. Por que não propor logo a privatização, que pode render muito mais e resolver o problema do Estado?"
quarta-feira, janeiro 17
FORUM NA ÁFRICA
Em um país cercado pelos conflitos da Somália, Etiópia e Sudão, as tensões da guerra serão parte do próximo FSM.Neste inicio de 2007, um país e uma região africana em conflito estão no imaginário dos movimentos sociais e altermundistas que participarão de mais uma jornada do Fórum Social Mundial. Situado no leste africano, o país que em janeiro receberá ativistas de todo mundo é banhado pelo Oceano Índico e cercado por uma vizinhança tensa e famosa.Na fronteira norte do Quênia, sede do encontro, está a Etiópia, que no final de 2006 mobilizou suas tropas para defender o governo transitório de outro país, a Somália, vizinha nordestina do Quênia. O governo não é aceito por uma grande parcela islâmica dos somalis.
A Etiópia foi à guerra na Somália com o apoio da União Africana, contra os Tribunais Islâmicos que detinham o controle de toda parte sul do país vizinho, incluindo a capital, Mogadiscio. Estes tribunais, por sua vez, têm apoio de outro país do Corno da África, a Eritréia, e, segundo os Estados Unidos, do líder da Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri.De acordo com a BBC, Al-Zawahiri teria apeladoaos muçulmanos vizinhos (do Egipto, do Sudão e do Maghreb Árabe), em entrevista ’a TV Al Jaazera, para que participem de uma Guerra Santa (Jihad) na Somália contra o governo e seus apoiadores.As cortes islämicas (11 ao todo, reunidas na UCI - União dos Tribunais Islâmicas em 2006), defendem a volta da lei tribal islâmica Sharia e estão enfraquecidas desde a invasão das tropas etíopes.O Quênia, no meio do caminhoA guerra está acontecendo agora e o palco de possíveis negociações entre apoiadores do governo Somali é o Quênia, país que também sediou a formação do governo provisório em 2004. Enquanto delegações dos quatro continentes se organizavam para o VII FSM, o país anfitrião recebia em Nairóbi, neste início de janeiro, representantes da Etiópia, Estados Unidos, União Africana e do governo transitório da Somália, para tratar de uma força de paz africana que substitua as tropas etíopes.Mais algumas semanas são previstas pelo primeiro ministro etíope, Meles Zenawi, até que suas tropas sejam substituídas pela força de paz. Em outras palavras, não existe um prazo para que a invasão recém iniciada da Somália termine. Ou que cessem os confrontos com a resistência islâmica.Nesse intervalo ocorrerá o FSM, pela primeira vez tão perto dos conflitos sangrentos envolvendo questões étnicas e culturais, com a miséria e a globalização como panos de fundo. Quase na divisa com o Quênia está Kismayo, cidade reduto dos islâmicos agora tomada pelo exército etíope. A saída é o país vizinho, embora o Quênia tenha fechado as fronteiras e comece a mandar de volta para o inferno, para horror do resto do mundo, levas de refugiados(as) , a maioria mulheres e crianças.
A memória de um genocídio
O grupo de nações em conflito constituem, acima do Quênia, a área geográfica que tem a forma de um chifre de rinoceronte, daí o nome da vizinhança explosiva. Ela fervilha com mais de uma guerra. Ao lado da Etiópia, a noroeste do Quênia, está o Sudão, que atravessa dias não menos dramáticos, com nada menos que 2,5 milhões de habitantes desabrigados, procurando refúgio dentro e fora do país. A tragédia vem de alguns anos, enquanto a ONU decidia se o que estava ocorrendo lá era ou não genocídio. O fato é que mais de 200 mil pessoas foram dizimadas na região da capital, a cidade de Darfur, desde 2003. A população africana negra acusa até hoje as milícias árabes, chamadas Janjaweed e apoiadoras do governo sudanes, de junto com este terem promovido tal genocídio.Agora, muitos habitantes desalojados procuram saida pelo Jade e pelo Quênia. Por isso, populações desabrigadas em decorrência de conflitos étnicos, além de todas as outras causas conhecidas para a falta de moradia nos países pobres, constituem uma realidade com a qual o FSM vai se deparar bem de perto. No final do ano passado, os conflitos no Sudão recomeçaram, também sendo motivo de uma proposta de intervenção militar por forças de paz da ONU.Abaixo do Sudão, à oeste do Quênia, está Uganda, cujo parlamento já aprovou a inclusão de tropas na força africana para a Somália. Ninguém ao redor do Quënia está livre da tensão da guerra que ameaça toda a região.
Heranças tristes
Compreender um pouco melhor o resultado de um coquetel explosivo formado pelo confronto entre militarismos e fundamentalismos, em um cenário de abandono e miséria, é um dos desafios do FSM. Mas a interferência externa está entre as principais causas das guerras religiosas e étnicas que hoje se desenrolam naquela região da África.Fora a participação ocidental na formação dos governos transitórios que depois se voltaram contra parcela da população, como foi o envolvimento dos EUA na origem do governo sudanês que acabaria perseguindo e matando africanos(as) negros(as), existe a herança deixada pela colonização européia."O Quênia, enquanto país, é uma construção política decorrente de sua colonização britânica, iniciada durante o século XIX e somente terminada em 1963", explica o queniano Samwel Kamau Githiru, que estudou no Brasil nos anos 90. Essa colonização foi responsável pelas fronteiras hoje conhecidas e que foram feitas, como ele explica, "com o intuito de dividir etnias aliadas e unir rivais. Assim, sua população se enfraqueceria entre disputas internas e os colonizadores teriam maior facilidade em explorar suas riquezas naturais". Hoje, a preocupação so Ocidente está no risco de ver a Somália transformada em um estado islâmico. Ou, simplesmente, fora de controle.
ENQUANTO ISSO NA TERRA DA CRATERA TUCANA...

Construtoras do Buracão deram R$ 1,7 mi para comitê de Serra
Três das cinco construtoras que integram o Consórcio Via Amarela doaram, juntas, R$ 1,7 milhão para a campanha de José Serra (PSDB) ao governo do Estado.O consórcio realiza as obras da linha 4-amarela do metrô. O custo total do projeto é estimado em R$ 3,5 bilhões. Somente a primeira etapa, que contempla seis das 11 estações, está estimada em R$ 1,9 bilhão.A construtora OAS repassou R$ 1 milhão para a campanha do tucano. A Camargo Corrêa doou R$ 400 mil. A construtora Norberto Odebrecht, R$ 300 mil. O comitê financeiro da campanha de Serra arrecadou, no total, R$ 26,7 milhões.Formam ainda o Consórcio Via Amarela as construtoras Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez -as duas não fizeram doações à campanha do atual governador.
E AGORA JOSÉ?

Estatal Paulista doou R$ 500 mil a instituto de FHC
O Instituto Fernando Henrique Cardoso, ONG criada pelo ex-presidente tucano com a ajuda de grandes empresários, foi contemplado no ano passado com uma doação de R$ 500 mil de uma empresa estatal do governo paulista, que no período 2003-2006 foi comandado por Geraldo Alckmin (PSDB) e Claudio Lembo (PFL).
O dinheiro saiu da Sabesp - então presidida por outro tucano, Dalmo Nogueira Filho - e foi direcionado para um projeto de conservação e digitalização do acervo do instituto, conhecido pela sigla iFHC.A Sabesp é uma das sete empresas que, até o final do ano passado, haviam doado R$ 2.095.000,00 para o projeto de preservação e digitalização do acervo do iFHC, com incentivos fiscais da chamada Lei Rouanet - as contribuições podem ser descontadas do Imposto de Renda.
as relações da Sabesp com políticos do PSDB não constituem propriamente uma novidade. No ano passado, reportagens da Folha de S.Paulo revelaram que a estatal patrocinou uma edição da revista Ch'an Tao, do acupunturista do então candidato à Presidência Geraldo Alckmin - o tucano foi assunto de capa e apareceu em 9 das 48 páginas da publicação.
A estatal também destinou R$ 1 milhão de sua verba publicitária para uma editora e um programa de TV do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB). O Ministério Público abriu uma investigação sobre o eventual uso de empresas do Estado para beneficiar aliados de Alckmin na Assembléia Legislativa.
Mais Detalhes
domingo, janeiro 14
Governo dos EUA sabia de torturas no Brasil

Embaixador detalhou violações dos direitos humanos, mas sua prioridade eram os ganhos na venda de equipamento militar. "Negar assistência não faria com que o Brasil mudasse de idéia ou abandonasse seus esforços de segurança", dizia na época John Crimmins. Aqui para assinantes Uol ou folha
Atentado do PT contra Editora Abril fracassa e causa problemas ao trânsito da Capital.
É isso mesmo !!!Uma célula petista a serviço da repressão à livre circulação de idéias e à liberdade de expressão tenta dinamitar a editora ( situada às margens plácidas da Marginal Pinheiros ) que publica, entre outros sucessos de público, a gloriosa revista Veja - pensando bem, a Daslu também se encontra às margens plácidas de algum rio fétido.Não conseguindo seu intento sinistro, passaram rapidamente ao Plano B, que consta de todos os manuais de desinformação esquerdista: a injúria e a calúnia.Por meio de seus cerca de 800 jornalistas - que constam da folha de pagamento da CUT- começaram a divulgar ardilosamente, a idéia de que a cratera aberta na ação subversiva, deveu-se ao planejamento deficiente e à incompetência do governo estadual ( controlador do Metrô, cuja linha 4 ( Luz - Vila Sônia ) está em fase adiantada de sua construção, conforme o prometido pela antiga administração ) .O irônico - aliás, quem conhece a raça sabe que, nem por um segundo, se deve pensar em ironia, mas sim, em algo cuidadosamente planejado - è que esta linha será a primeira de uma série de contratos de PPP's entre o governo estadual e a iniciativa privada, no âmbito do Metropolitano de São Paulo.A despeito do "insucesso" do ataque, os guerrilheiros não se fizeram de rogados. Ao contrário.Lançaram mão do velho subterfúgio stalinista de confundir a opinião pública, e semear a dúvida, a desinformação e o engano proposital. Passaram ao ataque às reputações dos dirigentes ideologicamente opostos, mediante a ironia, o baixo nível e a ridicularização. Já se ouve falar que a cratera resultante do atentado ganhou o nome de "Buraco da Dona Lú" ( aludindo ao trágico Túnel Rebouças, que a sabedoria popular alcunhou de "Buraco da Marta", ex-prefeita de São Paulo, dos quadros do PT )Tudo perfeitamente executado, conforme o aprendido nos manuais da KGB.Aliás, a própria perfeição na execução ( do Plano B ) revela sua origem incontestável, ou seja, na melhor ( pior ?) tradição da famigerada escola soviética de propaganda subversiva e desinformação sub-repetícia. Não acredita veja aqui
sábado, janeiro 13
O $ DO JUNGMANN E O $ DOS ESCÂNDALOS DO PT

Paulo Henrique Amorim
Máximas e Mínimas 84
. Raul Jungmann foi Ministro da Reforma Agrária - ao qual o Incra é subordinado - no Governo de Fernando Henrique Cardoso.
. Ele é do PPS, o partido dos ex-comunistas brasileiros, que se tornou uma espécie de "linha-auxiliar" dos tucanos.
. Raul Jungmann foi um dos mais agressivos membros da CPI dos sanguessugas, sempre contra o Governo, a tal ponto que deu a impressão de querer assumir a Superintendência da Polícia Federal para botar os corruptos na cadeia.
. Agora, Procuradores da República, no Distrito Federal, pediram o indiciamento de Jungamann e de mais oito pessoas por roubalheira no Incra.
. Uma roubalheira no valor de R$ 30 milhões.
. Como se sabe, pedir o indiciamento não significa que o acusado seja culpado. (Clique aqui) para ler "Jungmann é inocente até que se prove o contrário").
.Porém, é importante não perder a perspectiva: R$ 30 milhões é muito dinheiro.
. Só para faciliatar a comparação, vamos ver o que significam R$ 30 milhões lado-a-lado às cifras de alguns dos recentes "escândalos" a que a mídia conservadora brasileira deu cobertura de forma razoavelmente objetiva...
. Dólares na cueca: eram 200 mil reais e 100 mil dólares, o que dá 72 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
. Mala dos "aloprados do PT no Hotel Íbis": eram 1,168 milhões de reais e 248,8 mil dólares, o que dá 17 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
. Dinheiro que o assessor do deputado Professor Luizinho (PT-SP) sacou no Banco Rural: eram 20 mil reais, o que dá 1500 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
. Propina que Sebastião Buani teria pago a Severino Cavalcanti: eram 130 mil reais, o que dá 230 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
. Dinheiro que a Telemar investiu para se tornar sócia da empresa do filho do Presidente Lula: eram 5 milhões de reais, o que dá 6 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
. Na CPI dos Correios, o publicitário Duda Mendonça confessou que recebeu dinheiro de Marcos Valério como pagamento de trabalhos prestados ao PT nas eleições de 2002: eram 10,5 milhões de reais, o que dá 2,8 vezes menos do que os R$ 30 milhões do Incra de que os Procuradores acusam Jungmann.
sexta-feira, janeiro 12
VOLTANDO DAS FÉRIAS: " COMO ASSIM LOGO ELE O ÉTICO?"
A Procuradoria da República no Distrito Federal apresentou denúncia contra o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário do governo FHC, e mais oito pessoas, por improbidade administrativa, segundo o site Consultor Jurídico. O grupo é acusado de participar de um esquema de desvio de recursos públicos para pagamento de contratos de publicidade no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre 1998 e 2002, quando Jungmann era ministro. As empresas RRN Comunicação e Marketing, Casablanca Comunicação e Artplan Comunicação também fazem parte da denúncia. Segundo o MP, os contratos entre o Incra e as empresas causaram prejuízos de R$ 33 milhões ao erário.
QUANDO ACHAMOS QUE VIMOS TUDO...

Os policiais militares gaúchos passarão a trabalhar sob um regime que prevê o cumprimento de metas diárias e o estímulo à competição entre unidades. Idealizador do projeto, o subcomandante da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, detalhou quinta-feira, ao jornal Zero Hora, como deve funcionar a nova política. “Vamos dar as metas para o combate ao crime. Se não forem cumpridas, a população não vai cobrar de mim, e sim do executor, que é cada comandante. Quero resultados”. E acrescentou: “A competição é boa. Ninguém vai querer estar em segundo lugar”.
O comando-geral da Brigada Militar já divulgou as primeiras metas que deverão ser cumpridas pelos policiais: eles terão que abordar pelo menos 70 mil veículos todos os dias. Esse número representa cerca de 2% de toda a frota do Estado. Trata-se de um índice muito superior ao que é feito normalmente. Em janeiro de 2006, segundo dados da própria Brigada, foram abordados cerca de 9 mil veículos por dia no RS.
Trabalho escravizante
O sindicato dos cabos e soldados da Brigada Militar criticou a proposta, dizendo que ela vai “escravizar o trabalho dos policiais”. Leonel Lucas, dirigente do sindicato, disse à rádio Gaúcha, na quinta-feira, que os policiais já são obrigados a dar pouca atenção às suas famílias, trabalhando em condições adversas e sem equipamentos adequados, como coletes à prova de balas. Ele anunciou que os cabos e soldados tentarão uma audiência com o comando da Brigada Militar nos próximos dias para tentar derrubar o plano de metas e competição.
INFLAÇÃO: MENOR TAXA DESDE 1998

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, indicador oficial utilizado pelo governo federal no controle de sua política de metas de inflação) registrou durante o ano de 2006 elevação média de preços de 3,14%, o menor resultado desde 1998 (quando a inflação havia ficado em 1,65%). A variação é 2,55 pontos percentuais inferior à inflação anotada em 2005, quando chegou a 5,69%. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
quarta-feira, dezembro 20
VELHO JEITO DE GOVERNAR
Para lembrar da campanhaTrecho de entrevista da candidata Yeda Crusius ao programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, na campanha eleitoral:
Yeda Crusius - O Pacto foi uma iniciativa da Assembléia Legislativa, acima dos partidos, para escancarar a crise fiscal. No Pacto está escrito que não tem aumento de alíquota. O que está acontecendo até agora é que o tarifaço, mesmo existindo, não está conseguindo pagar a folha.
André Machado - Esse é o seu compromisso?
Yeda - É o meu compromisso.
André - Em momento nenhum, daqui a três anos, a senhora governadora vai enviar um projeto à Assembléia alterando para cima qualquer alíquota de imposto?
Yeda - Qualquer alíquota para imposto. Veja bem...
André - Ou criar imposto novo.
Yeda - O meu governo será, desde o princípio, um governo transparente.
Frases idênticas foram ditas na TVCOM e nos debates.
Depois de Eleita...
Uma bomba a caminho
São tão drásticas as medidas esboçadas no pacote em gestação pela equipe da governadora eleita Yeda Crusius, que se torna impossível acreditar na aprovação pela Assembléia. No velho jeito de governar, parte do pacote seria o "bode na sala", para ser retirado nas negociações e tornar o restante mais palatável.
O pacote combina três medidas de alto impacto: a prorrogação do tarifaço que em 2004 elevou as alíquotas do ICMS de combustíveis, telecomunicações e energia elétrica, o aumento da alíquota básica de 17% para 18% e o corte de benefícios fiscais concedidos a setores específicos. A idéia é cortar em até 70% as chamadas desonerações fiscais, o que resultaria num acréscimo de receita de R$ 700 milhões por ano. Com a prorrogação do tarifaço e o aumento do ICMS da maioria dos produtos e serviços em um ponto percentual, o ganho de receita seria de R$ 1,3 bilhão por ano.
A lógica do pacote tem um pouco de Maquiavel: fazer toda a maldade de uma só vez, aproveitando o capital político da governadora recém-eleita. A transparência na apresentação dos números da crise seria o principal argumento para convencer a sociedade a fazer mais um sacrifício. O problema é que esse capital político foi conquistado com a promessa de uma gestão inovadora, sem aumento de carga tributária. O contrário é estelionato eleitoral.
fonte: Página 10 Rosane de Oliveira
terça-feira, dezembro 19
Demitido, repórter da Globo critica direção
Terça, 19 de dezembro de 2006, 18h36Demitido, Rodrigo Vianna, repórter da TV Globo, critica a direção da emissora.
A TV Globo informa que Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.
Leia íntegra da carta de Rodrigo Vianna:
LEALDADE
Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.
Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.
Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".
Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.
Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!
Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".
Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.
Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.
Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"
Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?
Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?
Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!
Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.
Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.
Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).
O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!
Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!
Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?
E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.
E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...
E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.
Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!
Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?
O JN levou um furo, foi isso?
Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.
Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.
E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!
Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!
Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...
De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...
A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!
Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?
Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.
Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?
Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.
Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.
Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.
Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:
"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".
Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.
E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".
Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!
João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:
"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".
Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!
Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.
Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.
Mas, isso tudo tem pouca importância.
Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?
Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?
Depois, não sabem porque os protestantes crescem...
Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!
Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.
Foram quase doze anos de Globo.
Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.
Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.
Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.
Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.
Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.
Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.
Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...
1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.
2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.
Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.
Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.
Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!
Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.
Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).
Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.
Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.
Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna
Fonte: Terra Magazine
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