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segunda-feira, julho 9

DOIS IRMÃOS NA LISTA DAS FRAUDES

Reportagem no Clic RBS AQUI
Mais cinco municípios são suspeitos de fraude em concursos públicos.
Número de investigados pela Operação Gabarito chega a 42
Mais cinco municípios gaúchos podem estar envolvidos na fraude de licitações em concursos públicos. Com isso, chega a 42 o número de prefeituras investigadas pela Operação Gabarito do Ministério Público. Os novos municípios suspeitos são Dois Irmãos, Lindolfo Collor, Nova Hartz, Três Coroas e Triunfo.
A Justiça começa a analisar a documentação apreendida. No mês passado, a operação desarticulou um esquema envolvendo prefeitos, vice-prefeitos e empresários gaúchos acusados e fraudar concursos públicos e licitações no interior do Estado.
FONTE: RÁDIO GAÚCHA

OS DONOS DA MORAL

Alguns dias atrás, um cidadão de Dois Irmãos em uma resposta à uma postagem minha escreveu: "Alías, paulinhodopt, tu que prega tanta moralidade, tuas respostas e postagens são feitas em horário de trabalho e o pior, deve sair de algum gabinete de deputado. Tu já tens antecedentes em Dois Irmãos, de trabalhar em outra coisa em horário de trabalho..." Detalhe todas as minhas postagens são feitas em horário de Almoço ou depois do horário de trabalho e os outros em finais de semana e feriado jamais em horário de trabalho, Mas visitando alguns sites encontrei um comentário de um secretário da Prefeitura de Dois Irmãos neste sitio: AQUI. Olhe o que diz o comentário "Não esperem jamais de um petista "mente lavada" , adimitir (assim mesmo com aquele “i” antes do m), que estejam fazendo alguma coisa errada. Sempre vão justificar suas ações totalitárias em nome do "bem comum". Contestar seus panfletos e artigos, como fiz em minha cidade, é no mínimo ter que responder um processo judicial, que não foram poucos. Portanto, o Presidente que temos vai morrer e vai continuar dizendo "nada saber, nada ouvir e nada ver"." Enviado por: Afonso Bastian (18/04/2006 09:46) Em Plena terça-feira às 09:46 da manhã, Como são as coisas, nada como um dia após do outro...As máscaras caem.

domingo, julho 8

A FARRA DO BOI

Para que Senado?
Representação do Estado?
Mandato de oito anos, um mundo mordomia, privilégios. Com gente como Renan Calheiros (PMDB) e Roriz (PMDB). Pilantras, cara- de - pau, um renunciou para não ser cassado, sabe que o povo vai elegê-lo novamente. O outro acha que o povo brasileiro acredita em Papai Noel. Dois grandes criadores de Bezerros... O lema deles...

Podemos...
Meter- a-mão...
Depois falamos que era dinheiro dos...
Bezerros ...

O CUSTO DOS NOSSOS DEPUTADOS

Além de proporcionar episódios que deixam vermelhos de vergonha a maior parte dos brasileiros, como atestou a pesquisa CNT/Sensus divulgada na terça-feira, o Congresso brasileiro é um dos mais caros do mundo. De acordo com a pesquisa o orçamento destinado à Câmara e ao Senado só perde para o dos EUA. Mas, quando os cálculos levam em consideração o PIB per capita e o salário mínimo local o Congresso brasileiro é muito mais caro ou, pelo menos, está entre os mais onerosos do mundo.O primeiro orçamento é o dos EUA, de R$ 8,17 bilhões. O orçamento da Câmara e do Senado é de R$ 6,09 bilhões por ano, o que representa R$ 32,64 por habitante, ou 0,18% do PIB per capita.Em segundo lugar vem a Itália, cujo parlamento custa 0,11% do PIB por cabeça. Nos EUA, essa relação é de 0,03%.Quando se olha apenas o custo por habitante, o Brasil fica em terceiro lugar (R$ 32,64), atrás de Itália (R$ 64,46) e França (R$ 34,00), mas à frente dos parlamentos da Espanha (R$ 28,87) e EUA (R$ 27,00). Cada deputado e senador custa 2.068 salários mínimos por ano.O valor é mais que o dobro observado no México que é de 911 salários mínimos anuais. Na Argentina, que tem um salário mínimo semelhante ao brasileiro, o custo é de 264 mínimos por ano.A organização realizou um cruzamento entre o custo do Congresso inteiro por habitante e o salário mínimo. A Câmara e o Senado estão à frente mais uma vez. Todo os anos, cada brasileiro paga 0,66% do salário mínimo recebido durante doze meses. Em segundo lugar, o México, com índice de 0,54%, e Itália, com 0,23%.

sábado, julho 7

PREVISÕES DE KAYESER PARA O FUTURO DO GRÊMIO COM BRITTO

Kayser FAZ UMA PREVISÃO DO FUTURO DO GRÊMIO COM BRITTO.
Para ver a charge clique em cima dela e verás de maneira legível.
Julho de 2007 -
Britto aceita o convite feito por Odone e assume a presidência do Grêmio. Na entrevista coletiva, sempre espirituoso, brinca com os repórteres, que o chamam de “governador”, dizendo que vai manter o que está bom e mudar o que é preciso. Em um canto da sala, um sujeito magricelo e desconhecido, que depois seria identificado como o prefeito de Porto Alegre, dá um sorriso amarelo.
Setembro de 2007 – Não se confirmam os boatos de que os ingressos seriam majorados. Em compensação, pedágios, tanto para automóveis quanto para pedestres, são instalados na entrada do Largo dos Campeões. O custo do pedágio é maior do que o da maioria dos ingressos, mas é cobrado em um único sentido: “O torcedor paga apenas para entrar no Olímpico e a Univias se compromete a pavimentar o Largo dos Campeões em um prazo de até 12 anos”, exulta Antônio Britto.
Janeiro de 2008 – A situação financeira desfavorável obriga Britto a lançar mão de um PDV. Muitos atletas decidem deixar o clube em troca de uma indenização. A maioria deles investe em automóveis da marca Towner equipados com kit para cachorro-quente. Sandro Goiano opta por um carrinho.
Maio de 2008 - Os salários são pagos com um atraso de 15 dias. Britto acena com um aumento de 33 %, mas não paga. Os atletas entram na justiça para receber esse aumento. A dívida será paga por uma futura administração.
Junho de 2008 – Com uma eficiente política de atração de investimentos, Britto anuncia que uma grande multinacional construirá a Arena Fifa. Como contrapartida, o Grêmio fornecerá a área, a torcida para pagar ingressos e os jogadores, que atuarão por um novo clube, o qual terá o nome da empresa multinacional. Após 25 anos, a Arena será alugada para o Grêmio, que então poderá usar novamente seu nome.
Agosto de 2008 - A equipe passa por dificuldades e precisa do apoio dos seus torcedores, que têm comparecido em menor número a cada jogo. Britto anuncia o pagamento de “cinco pila e um pastel” para cada torcedor que se dispuser a balançar uma bandeirinha de plástico e usar um bonezinho.
Setembro de 2008 – É contratada uma consultoria comandada por Vicente Falconi para modernizar a gestão do clube.
Outubro de 2008 – A consultoria sugere uma terceirização da equipe, que fracassa no Brasileirão. Britto fecha o departamento de futebol e contrata, em um moderno sistema de leasing, os jogadores do Zequinha.
Dezembro de 2008 – Britto abandona a presidência do Stora Enso Ford Roundup Ready Portoalegrense – novo nome do clube – e viaja para a Espanha na companhia de um enteado. O vice-presidente fará a transmissão do cargo para o futuro presidente.

quinta-feira, julho 5

GRÊMIO UM SENTIMENTO QUE NÃO SE TERMINA

Pensem num clube popular, onde há torcedores das mais diferentes classes sociais, sei você poderá dizer que todos os clubes têm esse perfil. Sim, esse é o perfil do Grêmio, meu time do coração, do time que desde que me conheço por gente aprendi a amar, um amor platônico que não se termina que resiste às mais humilhantes derrotas e tem seu ápice nas conquistas. Mas a notícia que recebi hoje, me entristece, trairam o meu amor... Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto dos colorados, Antônio Britto Presidente do Grêmio? Sim, isso mesmo, ele mesmo, o homem que vendeu o patrimônio do nosso Estado, que sucateou o nosso RS. O que ele irá fazer no Grêmio? Talvez vender o Grêmio para alguma multinacional, quem sabe o Banco Opportunity, para depois se empregar nele. Não esquecendo que ele é o "homem dos pedágios", o que teremos que pagar para poder torcer pelo nosso time? Quem sabe, um aumento abusivo no valor dos ingressos, seu histórico é de trabalhar para os grandes, talvez agora só os afortunados, a “Elite do Pampa Gaúcho” poderá ir ao estádio. Qual o torcedor tricolor que pode me citar uma contribuição desse "cidadão" para o nosso imortal? Quem já viu ou ouviu falar em Antônio Britto no Olímpico? Perdoe-me Paulo Odone, mas tornar o Grêmio, com essa torcida maravilhosa (melhor do Brasil) em um objeto de ambições e pretensões políticas! Isso nós gremistas não merecemos... Brito Não! Respeitem esse time e sua Imortal torcida. Brito Não!

Do Blog do Kayser vem a frase do Dia


segunda-feira, julho 2

CONGRESSO DA UNE

Entre os dias 4 e 8 de julho, na Universidade Federal de Brasília (UnB), calcula-se que cerca de 10 mil jovens de todos os cantos do País vão participar do maior encontro organizado da juventude brasileira e principal fórum de deliberação do movimento estudantil. É o Congresso da UNE (CONUNE), que vai eleger a nova diretoria da entidade e defir seus rumos para os próximos dois anos, quando serão comemorados os 70 anos da UNE.
A Unisinos elegeu 24 delegados para participar do Conune, numa proporção de 1 delegado para cada 1.000 estudantes da Universidade. Destes 24 delegados, 11 pertencem à chapa Participação, entre os quais o estudante de História Paulo José Schmidt Brachtvogel, assessor parlamentar do deputado Tarcísio Zimmermann.
Participar desse congresso é passar por uma experiência gratificante visto que a Une é uma das principais organizações da sociedade civil brasileira, com uma bela história de lutas e conquistas ao lado do povo brasileiro sempre marcando presença nos principais acontecimentos políticos, sociais e culturais do país, na ditadura militar, pelas diretas, no fora Collor, contra as privatizações e a era neoliberal de FHC. Então um movimento como esse tem que ter o nosso respeito, temos que resgatar os valores históricos da Une e mantê-la autônoma que, a grosso modo, represente de fato os interesses e os anseios dos estudantes brasileiros .

sábado, junho 30

E AGORA, SILÊNCIO?

"A má-fé costuma andar de mãos dadas com o esquecimento seletivo e a amputação da memória. A memória amputada e a história sonegada são marcas hoje, infelizmente, de boa parte do jornalismo que se faz no Rio Grande do Sul. E um Estado sem memória é um Estado sem presente e sem futuro"Marco Weissheimer.
Aqui na nossa cidade não foi diferente, pegue o Jornal que leva o nome dessa cidade e veja as “notícias de capa” quando o governo era outro, do Olívio Dutra (PT) o editor chefe do tablóide massacrava o então secretário da segurança Bisol. Passou os quatro anos do Governo Olívio batendo nessa tecla: "segurança". Quando José Paulo Bisol falou, pela primeira vez, na famosa “banda podre” da polícia foi bombardeado na e pela mídia (toda a mídia gaúcha). Combate à corrupção policial, investimento nos serviços de inteligência, integração das polícias civil e militar, atuando em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público. Essas eram justamente as propostas da gestão de José Paulo Bisol, no governo Olívio Dutra (PT).
As cruzadas “Morais” do nosso querido Jornal são seletivas, agora em meio a total falta de segurança, onde, a cada semana são arrombadas diversas casas, roubados vários carros, assaltadas várias pessoas nas ruas da nossa cidade. - Não vou esquecer uma frase que li em um artigo de desabafo de uma cidadã de Dois Irmãos: “Nós lutamos a cada dia para construir uma vida, e vem aqueles que acabam com ela em poucos minutos, levando tudo o que temos”. É realmente muito triste. Mas não notamos os “protestos”, os pedidos por mais segurança. Quando o Governo era do Olívio queimaram até boneco do secretário na frente do Piratini e agora, agora as notícias sobre a segurança estão escondidas no meio do jornal lá em uma “coluninha pequeninha”. Cadê o “nobre editor”? Calou-se? Cadê a irá e a cruzada pela segurança pública dos prefeitos que naquela época queimaram o boneco do então secretário Bisol? A População quer saber. A População quer segurança, já.

IRÔNIA HISTÓRICA

Nos últimos dias, atos de dois ex-governadores gaúchos vieram à tona por conta da crise financeira que atinge o Estado do Rio Grande do Sul. Na terça-feira, a notícia foi o agravamento da crise em virtude de decisões judiciais que deram ganho de causa a servidores públicos que, durante o governo Antônio Britto, tiveram aumento estabelecido em lei e suspenso logo depois. Nesta quinta, a notícia foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou recurso da União contra a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), em um processo que o Estado ingressou contra a União durante o governo Olívio Dutra. A decisão do governo Olívio de mover a ação visou recuperar um passivo formado quando da criação da CEEE, em 1963. Caso ganhe a ação, o Estado terá R$ 2 bilhões de crédito para amortizar sua dívida com a União, podendo reduzir os repasses mensais dessa dívida. Qual dos dois governadores defendeu melhor o interesse público?

Marco Weissheimer Do Blog: http://rsurgente.zip.net/

FLAUTA

Essa é do Kayser...Mandou bem...ehehe

segunda-feira, junho 18

A IMPRENSA E A DESILUSÃO POLÍTICA

Por: Antônio Augusto de Queiroz*
O Brasil está passando por um processo absolutamente curioso do ponto de vista da percepção e participação política. Na proporção em que avançam a transparência e o controle sobre os atos dos agentes políticos, aumentam a desilusão, o descrédito e a falta de disposição das pessoas para participarem da política, especialmente em razão dos custos de imagem. Há algo de muito errado nisso.
O modo como vêm sendo divulgados os recentes escândalos políticos – em geral captados e desvendados por órgãos oficiais – tem produzido um efeito contraditório. A ausência de qualquer menção aos avanços das instituições na percepção e descoberta de desvios, a partir do trabalho dos órgãos que combatem a corrupção – como Ministério Público, Controladoria Geral da União, Polícia Federal, Tribunal de Contas e Receita Federal – transmite a idéia de aumento da corrupção, quando ocorre exatamente o contrário, ou seja, o combate à corrupção.
Para corrigir esses equívocos de percepção e contribuir para a melhoria do padrão ético, a partir da punição exemplar dos culpados, duas ações são necessárias e a participação da imprensa é fundamental em ambas: uma de esclarecimento e outra de mudança legislativa e de postura dos membros dos três poderes.
A primeira – de esclarecimento – passa por mostrar que delinqüir tem custos e conseqüências sérias porque o Estado e a sociedade já dispõem de meios para descobrir, denunciar e processar seus atores, que responderão civil e penalmente pelos seus atos. Simplesmente denunciar, sem esses cuidados, deseduca porque passa a impressão de que o crime compensa, além da falsa idéia de aumento da deterioração do padrão ético.
A segunda – de mudança de postura e da legislação – consiste em cobrar das autoridades medidas voltadas para apurar, denunciar, julgar e punir os culpados, chamando à responsabilidade cada um dos três poderes. Do Poder Executivo exigir condições para aperfeiçoamento do trabalho dos órgãos de controle, fiscalização, transparência e responsabilização. Do Legislativo a discussão, formulação e votação de projetos que tornem célere a prestação jurisdicional, notadamente com mudanças nos códigos de processo para evitar recursos protelatórios que levam à prescrição dos processos e, em conseqüência, à impunidade. E do Judiciário, rigor e celeridade no ato de julgar.
O Brasil, desde a Constituição de 1988, já melhorou muito os mecanismos de fiscalização, controle e responsabilização dos agentes públicos, tanto pela profissionalização da burocracia, a partir do mérito e do concurso público, quanto pela criação de órgãos e de atribuições voltadas para a transparência da gestão estatal.
A impressão de impunidade é real porque se espelha na punição de detentores de mandato, cujo processo de julgamento passa por três etapas. A primeira é interna corpori, ou seja, os parlamentares julgam seus colegas e, nos casos do mensalão e das sanguessugas, houve absolvição quase que generalizada. A segunda é o julgamento das urnas, e nesse particular já houve avanço, a ponto de terem retornado apenas cinco dos 84 deputados denunciados na CPI das sanguessugas. O terceiro é o processo judicial, produto de denúncia do Ministério Público.
No julgamento do Judiciário é que está o principal problema. A frouxidão dos códigos de processo, que permitem reiterados recursos (quase todos de natureza protelatória), e a lentidão do Judiciário levam, quase que invariavelmente, à prescrição e extinção do processo antes do julgamento do mérito. Quem possui recursos para contratar bons advogados, mantidas as atuais regras, nunca será punido penal e civilmente.
A tarefa, portanto, é persistir no aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e, principalmente, cobrar das autoridades mudanças nos códigos de processo para dar celeridade à prestação jurisdicional, punindo exemplarmente todos os culpados. E a imprensa é fundamental nesse processo. A mera denúncia – sem essas preocupações – apenas aprofunda o ceticismo e a desilusão com a política, além de afastar quadros éticos da disputa política e contribuir para piorar a qualidade da representação.
* Jornalista, analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

domingo, junho 17

OLHA A PIZZA

Mais uma Pizza está saindo do forno do Conselho de Ética do Senado. O caso Renan Calheiros (PMDB-AL) ao qual, tudo indica que pagava pensão para sua filha constituída em uma relação extraconjugal com dinheiro de Lobistas. O Conselho de Ética ouve nesta segunda o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Jr., acusado de pagar despesas pessoais do presidente do Senado, e o advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon. A principal testemunha não irá ser ouvida que é a própria Mônica Veloso.

AS CRUZADAS MORAIS SELETIVAS DO SENADOR SIMON

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ficou conhecido nacionalmente como um paladino da moralidade e da luta contra a corrupção. Neste domingo, o senador propõe, em um artigo publicado na Folha de São Paulo, que a população saia às ruas contra a corrupção e pelo fim da impunidade. Intitulado “Reage, Brasil!”, o artigo diz, entre outras coisas, que “nunca, em nenhum momento da nossa história política, os três Poderes da República estiveram tão contaminados pela corrupção”. Simon não apresenta nenhum dado para sustentar tal afirmação, apelando para sua biografia como elemento de prova do que está dizendo. As cruzadas morais do senador gaúcho têm uma particularidade curiosa. Elas nunca se referem às denúncias de corrupção que atingem seus correligionários no Rio Grande do Sul. Quando tais denúncias surgem na província de São Pedro, envolvendo políticos de seu partido ou aliados, reina o silêncio. Alguém lembra de algum pronunciamento irado e indignado do senador Simon, cobrando investigações rigorosas sobre as denúncias contra a Máfia das Consultas, levantadas por uma série de reportagens do jornalista Giovani Grizotti? Denúncias que envolveram, entre outros, Elmar Schneider e João Osório, políticos do PMDB. Alguém ouviu algum comentário sobre o texto publicado no site da Assembléia Legislativa, onde o ex-deputado Schneider diz que “nos primeiros quatro anos de mandato em que trabalhou em parceria com o seu companheiro de partido, deputado João Osório, foram contabilizadas mais de quinhentos atendimentos mensais entre baixas em hospitais, cirurgias e consultas de rotina”, feito obtido através da intermediação dos seus respectivos mandatos? (clique AQUI para ler). Alguém ouviu algum discurso inspirado condenando a utilização de albergues por deputados para angariar votos, conforme denúncias que envolveram entre outros, os deputados Osvaldo e Márcio Biolchi, do PMDB?
Alguém lembra de uma fala de Simon cobrando explicações do vereador Luizinho do Sete, do PMDB de Sapucaia do Sul (RS), que contratou a mulher, a sogra, o filho e o gerente da loja de carros da qual o edil é proprietário? Ou ainda, alguém lembra de algum pedido de explicações do senador sobre o processo de privatização da Companhia Riograndense de Telefonia (CRT), durante o governo Britto, do PMDB, que contou, entre outras coisas, com a nebulosa participação da RBS, principal empresa de comunicação do Estado, e do grupo Oportunity, onde Britto foi trabalhar após deixar o governo? As cruzadas morais do senador parecem ser marcadas por uma curiosa seletividade geográfica e política. Uma seletividade que ajuda a identificar o lugar a partir do qual ele realmente fala.

Marco Weissheimer RS Urgente.

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

Algumas semanas atrás, numa postagem feita por um anônimo aqui neste blog (possivelmente filhote da corja que administra esse município), ele falava mal do Orçamento participativo, pois, hoje vou falar da experiência maravilhosa que os moradores de São Leopoldo estão vivendo. Não bastasse ser a cidade que mais construiu casas para pessoas de baixa renda de toda nossa região e grande Porto Alegre o Orçamento Participativo “está a milhão”. Esta semana o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, visitou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Alberto Pasqualini. O objetivo da vistoria foi acompanhar o andamento da obra da quadra poliesportiva na instituição, localizada no bairro Campina. A obra foi reivindicada pela comunidade através do Orçamento Participativo. Além da quadra, foram construídos vestiários e palco. Vanazzi destacou que a demanda está sendo muito esperada pela população, pois o bairro é carente de quadras. "Esta construção é importante para a comunidade que poderá participar e cuidar da área, e ainda melhorar o aproveitamento dos estudantes que terão um espaço qualificado para realizarem atividades recreativas, esportivas e de lazer", frisou. ExpectativaPara a diretora da escola, Silvia Maria Kunrath, a expectativa da direção e dos estudantes em relação a obra é muito grande. "Os alunos acompanharam o andamento das obras desde o início e estão ansiosos para utilizarem o local", afirmou. Ela comemorou a realização desta obra tão importante na escola. "Tenho 19 anos de município e é a primeira vez que vejo uma administração investir em uma obra de qualidade na periferia. Sempre morei e trabalhei em bairro e para nós é uma satisfação ver isto se realizando. Estou muito feliz", destacou. A titular da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer (Smed), Maria Luiza Sedrez, e a chefe do setor de Projetos da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação, Carla Gorski, acompanharam a vistoria. A equipe foi acompanhada pela diretora e as supervisoras Carla Doebber e Rosane Herpich. O valor orçado para construção foi de R$ 359.050,60. A área da obra consiste em 599,93 metros quadrados.
Enquanto que no nosso município as coisas são decididas dentro de quatro paredes, como o “elefante branco” do Palco Móvel, em outros municípios com administrações sérias as coisas acontecem e com a participação da população.

sexta-feira, junho 15

"NOVO JEITO DE GOVERNAR"

Avaliação do governo Yeda Crusius despenca no RS
Marco Aurélio Weisseimer - Carta Maior
A aprovação do governo Yeda Crusius (PSDB) segue caindo no Rio Grande Sul, conforme dados levantados pela mais recente pesquisa do Instituto da Universidade Luterana do Brasil (Dataulbra). Na pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13), a aprovação do governo do Estado atingiu o índice de 30,7%, registrando queda em relação a abril (36%) e a fevereiro (52%).Ou seja, em cinco meses, o governo Yeda perdeu mais de 20 pontos em termos de aprovação, caindo de 52% para 30,7%. A pesquisa foi realizada de 4 a 6 de junho de 2007 em 43 municípios gaúchos, abrangendo quatro intervalos demográficos (1-30 mil; 30-50 mil, 50-100 mil eleitores e acima de 100 mil). Ao todo, foram realizados 1.133 questionários em cidades de 12 regiões do Estado A margem de erro é de 3%.60,5% reprovam modo de Yeda governarDo total de entrevistados, 55,6% disseram não acreditar que Yeda Crusius fará um bom governo e 65% responderam que ela não está cumprindo as promessas de campanha. Já 45,9% responderam que o governo de Yeda não está sendo nem melhor nem pior do que o governo anterior (Germano Rigotto, do PMDB).A avaliação Ruim/Péssimo de Yeda chegou a 43,3%, contra apenas 16,1% de Bom/Ótimo e 34,7% de Regular. Quando perguntados se aprovam ou não o modo como a governadora vem conduzindo o Estado, 60,5% responderam que não aprovam, contra 30,7% de aprovação.Comparação com governo LulaA pesquisa também avaliou o governo federal no RS: 55% dos entrevistados aprovaram o desempenho do governo Lula (índice superior aos 52% verificados em abril). O presidente Lula obteve nota 5,7 (contra 5,6 em abril e 6,0 em fevereiro).Já Yeda ganhou nota 4,3 (4,2 em abril em 5,3 em fevereiro). Ainda em relação ao governo federal, 54,6% dos entrevistados acreditam que o presidente Lula fará um bom governo, mas 50,1% pensam que ele não está cumprindo suas promessas de campanha. Para 40%, o segundo governo Lula não está sendo nem melhor, nem pior que o primeiro.Assim, na comparação entre os desempenhos dos governos Lula e Yeda, os números do Dataulbra ficaram assim:Lula: 55% de aprovação - Nota 5,7Yeda: 30,7% de aprovação - Nota 4,3Os números da nova pesquisa do Dataulbra (a terceira este ano) indicam que a governadora começa a perder, já no início de seu governo, boa parte do capital político acumulado nas eleições de 2006. Yeda recebeu 51,54% dos votos totais e 53,94% dos válidos. Olívio Dutra (PT) ficou com 44,01% 46,06% dos válidos). Foi no Rio Grande do Sul também que Lula teve um de seus piores desempenhos eleitorais. O candidato tucano Geraldo Alckmin recebeu 55,35% dos válidos contra 44,65% de Lula. Agora, após cinco meses, o "novo jeito de governar", bordão de Yeda na campanha, acumula mais de 60% de desaprovação entre o eleitorado gaúcho.

quinta-feira, junho 14

REFORMA POLÍTICA






















Pelos debates, maioria é contrária à lista fechada; votação é adiada
Definitivamente não haverá consenso para votar a reforma política configurada no PL 1.210/07. Por quase dez horas, os deputados debateram nesta quarta-feira, 13/06, no plenário da Câmara os eixos que estruturam o projeto – financiamento público exclusivo de campanha e a lista fechada.

No debate, o que se viu foi um “bombardeio” contra a lista fechada. O voto em lista nada mais é que o fim do voto no candidato para se votar no partido.

A votação dos dois itens da reforma política foi adiada para a próxima terça-feira, dia 19. O resultado ainda é uma incógnita. Apenas três partidos decidiram votar a favor da lista – PT, PCdoB e o DEM. Mesmo assim no PT, a metade da bancada é contrária à lista. São totalmente contrários, o PDT, PSB e, por maioria, PP, PTB, PSDB e PR.

Tal como está formulada hoje, a tendência é que a lista seja derrotada, considerando-se o debate desta quarta-feira. Uma série de outros temas foi inserida no debate como o voto distrital puro e uma variação dele, o misto. O projeto recebeu 244 emendas de plenário.

O fiel da balança
O fiel da balança para adiar a votação foi o PSDB. A bancada tucana na Câmara, com 57 deputados, tendia a votar favoravelmente à instituição da lista partidária fechada, mas decidiu votar contra a medida em reunião realizada na terça, dia 12. Os líderes partidários haviam acertado que a adoção das listas partidárias seria o primeiro ponto da reforma política a ser examinado.

Diante da divisão, o deputado Ronaldo Caiado (DEM/G), um dos relatores do projeto, vai agora examinar todas as propostas para apresentar outro projeto de lei (substitutivo), com algumas mudanças.

Alguns parlamentares defendem sistemas alternativos, capazes de assegurar tanto a escolha pessoal do candidato da preferência do eleitor quanto o peso partidário ou ideológico nas eleições.

É nessa linha que deve caminhar a nova proposta de Caiado. Ele pode incorporar ao substitutivo emenda da deputada Rita Camata (PMDB/ES) que possibilita ao eleitor votar em uma lista determinada pelos partidos, mas dando-lhe a chance de escolher o seu preferido dentre os nomes apresentados. Há ainda a possibilidade de se incorporar uma emenda que determina que o voto seja facultativo.

DEBATE ABERTO

Os atributos de Vavá
Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva.
Passei um mês fora do Brasil, e me esqueci, por causa daquelas correrias, de pedir a transferência dos jornais entregues por assinatura para o endereço de uma das minhas filhas. Resultado: como a faxineira que freqüenta minha casa é muito diligente e respeitadora, lá estavam eles – os jornais – convenientemente empilhados, aliás, gigantescamente empilhados. O folhear daquela pilha passadiça me confirmou a impressão que eu tivera pela internet. Os deserdados do segundo turno de outubro de 2006 continuam na ativa – ainda que deserdados, é verdade. Não há o que fazer, para eles, a não ser CPIs, e procurar ataques à probidade do presidente. Não há programas a apresentar, idéias a debater. Só a moral do presidente interessa, e só a do presidente e de seus arredores. Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva, irmão mais velho do mandatário da nação. Esse personagem chama-se Vavá. Vavá está em toda a parte, Vavá é o band-aid da falta de assunto, Vavá é imorredouro, Vavá é tudo e é nada, é lobista e é ingênuo, é um vírus e é o inocente-útil, é falastrão e é calado, tudo depende da manchete e da notícia. Vavá é melhor do que Roberto Jefferson: ao contrário deste, Vavá quase nada parece ter a dizer. Então pode se lhe atribuir tudo. Vavá ligou para o presidente. O outro irmão do presidente ligou para Vavá. Aliás, não se sabe se foi propriamente o irmão, só se sabe ao certo que o telefonema partiu de um telefone da família, e que provavelmente a voz em questão deve ser desse outro irmão. É uma novela de suposições. Provas, investigação jornalística, muito pouco há. Há ilações a partir de fragmentos de relatórios e inquéritos, de conjeturas e suposições. Mas de tudo se pode tirar uma conclusão segura. O que interessa mesmo é mostrar como Vavá (o personagem, do irmão de Lula, pelo noticiário, pouco sei), esse Vavá, é canhestro, é desajeitado, como ele parece ter feito lobby sem saber fazer lobby. Lobby, afinal, é coisa de gente fina. Pobre faz lobby? Não, responde esse noticiário grotesco. Pobre pede. É diferente. A conclusão dessa leitura acumulada é uma só: é nisso que dá por alguém "do povo" no Palácio do Planalto. É que nem casamento: os noivos não casam só um com a outra, ou com o outro, ou uma com a outra, nestes novos tempos (felizmente) mais abertos que o Brasil vive; os noivos casam com as respectivas famílias também. E vejam no que dá fazer a família de pobre (e petista ainda por cima!) chegar à rampa do Palácio. Dá lobby? Não, não só. Dá ridículo, dá vergonha, é isto que o noticiário exala. Pobre é desajeitado, quando fala se lambuza de palavras e de poder, vejam só! Enquanto isso, o país vai melhor. Em muitas coisas, em outras não, é claro. A economia vai melhor, o povo vai melhor, muito melhor do que nunca esteve, pelo menos desde os tempos dos finados doutores Getúlio e Juscelino. O dólar baixa, o poder aquisitivo cresce, as famílias tem mais dinheiro para gastar (há economistas preocupadíssimos com isso), o euro nunca esteve tão baixo em relação ao real, a economia se aquece aqui e ali, ou seja, há um país inteiro a decifrar: que pauta! Mas as esfinges do nosso jornalismo ímpares só têm uma pergunta a se fazer: como impedir daqui para frente que o povo possa imaginar que um deles – ou mesmo um que governe em nome deles, por eles e para eles – possa permanecer impune, imune, no Palácio do Planalto. Flávio Aguiar é editor-chefe da Carta Maior.

TARCÍSIO ESPERA MAIS DO GOVERNO FEDERAL

Diante do anúncio das medidas para estimular os setores prejudicados pela cotação do dólar, feito no início da semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o deputado Tarcísio Zimmermann fez a seguinte manifestação: "Enfim, parece que a equipe econômica do Governo levou um puxão de orelhas do Presidente Lula".
Tarcísio, no entanto, vê com reserva as novas medidas anunciadas, que consistem, basicamente, na disponibilização de financiamentos com condições privilegiadas para os setores exportadores, na área do crédito: "Isto nós já conquistamos há mais de um ano, quando o Governo disponibilizou cerca de um bilhão de reais em linhas de crédito para os setores intensivos em mão-de-obra. Mas não foi o suficiente para resolver os problemas dos exportadores, uma vez que grande parte das empresas tem problemas cadastrais devido às suas dívidas acumuladas, ficando impossibilitadas de acessar esses créditos. Apesar de serem bem-vindos estes novos financiamentos, o que realmente precisamos, agora, são de medidas de maior profundidade que reduzam os custos da produção no País", frisou o deputado.
Tarcísio lembra, ainda, que no dia 22 de março, o Ministério da Fazenda recebeu relatórios que comprovavam o alto aumento da carga de PIS e COFINS nos últimos anos e que, portanto, o Ministério já teria tido tempo suficiente para se manifestar sobre este assunto, que é de crucial relevância para a solução da crise. "Estas medidas inicialmente anunciadas são importantes, mas continuaremos pressionando o Governo a adotar ações que efetivamente devolvam a competitividade à nossa produção, sobretudo ações que incidam sobre o campo tributário", finalizou.

A GUERRA REQUENTADA

por Antonio Luiz M. C. Costa - Carta Capital

Embora o G-8 seja o fórum dos maiores poderes reais do planeta – mais de dois terços do PIB (segundo a taxa de câmbio) e 97% das armas nucleares do mundo – e suas iniciativas não sejam embaraçadas por estruturas burocráticas ou votações complexas, suas reuniões geralmente foram mornas, rotineiras e aparentemente amigáveis.
Salvo algumas medidas de coordenação contra o terrorismo e a pedofilia, suas resoluções desde 1997, quando a incorporação da Rússia deu ao fórum a configuração atual (que soma nove membros com a União Européia), não foram muito além de promessas vazias de ajudar países pobres, reduzir barreiras comerciais e, nos últimos anos, também de pensar mais seriamente no aquecimento global. Abafada pela malfadada incursão israelense no Líbano, a reunião de 2006, em São Petersburgo (Rússia), mal foi notada.
Desta vez, porém, criou-se um clima de tensão e real expectativa em torno da reunião no balneário de Heiligendamm – perto de Rostock, na antiga Alemanha Oriental. Não pelo ativismo dos críticos da globalização, embora estes estejam recuperando o ímpeto perdido com o 11 de setembro e tenham dado trabalho aos 16 mil integrantes das forças de segurança mobilizadas para mantê-los a distância. As razões mais fortes para ansiedade estão nos crescentes desentendimentos entre as potências nucleares sobre questões cada vez mais difíceis de ignorar ou adiar.
Em 17 de janeiro, os especialistas do Boletim de Cientistas Atômicos adiantaram em 2 minutos – até 5 para meia-noite, a hora mais adiantada desde o fim da Guerra Fria – o “relógio do fim do mundo”, que, desde 1947, procura medir o risco de extinção da humanidade.
Agora, as razões do ajuste não estavam nas tensões entre Washington e Moscou, mas nas ambições nucleares de nações periféricas como Irã e Coréia do Norte, nos riscos de tráfico nuclear e, pela primeira vez, também a ameaça do aquecimento global. Esta, segundo o físico britânico Stephen Hawking, porta-voz da publicação, representa agora uma ameaça maior que o terrorismo.
Cinco meses depois, há motivos para pensar que o Boletim vai mover o ponteiro para ainda mais perto da vertical. Não só os novos problemas continuam sem solução à vista, como os velhos voltam com roupagem diferente.
O presidente russo Vladimir Putin preparou-se para a reunião do G-8 com um exercício não visto em seu país há algum tempo: o teste de um novo míssil balístico intercontinental. Substituto dos mísseis RS-18 e RS-20 (lançados em 1967 e 1974 e capazes de conduzir seis e dez ogivas, respectivamente), o RS-24 foi apresentado como capaz não só de transportar dez ogivas, como também de alterar sua altitude e curso em vôo hipersônico, para evadir defesas antimísseis. O Kremlin esclareceu tratar-se de uma resposta à instalação desse tipo de defesa pelos EUA na Europa Oriental e ameaçou transformá-la em mais um alvo de seus mísseis, caso o Pentágono prossiga com seus planos.
Washington quer dez antimísseis interceptadores na Polônia, combinados a uma estação de radar na República Tcheca. O pretexto é proteger os aliados de um eventual ataque nuclear do Irã ou da Coréia do Norte. Teerã ainda está muito longe dessa capacidade. Se esta existisse e os aiatolás tivessem algum interesse concebível em atacar a Europa, o local adequado para a defesa seria a Turquia, membro tradicional da Otan. Quanto à Coréia do Norte, é evidente que, caso tivesse mísseis com esse alcance, os apontaria na direção oposta. O desafio é tão claro quanto o de Kruchev ao instalar mísseis em Cuba, em 1962 – o momento em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear.
Dez antimísseis parecem pouco ante os 927 mísseis intercontinentais em poder de Putin – sem falar de milhares de mísseis nucleares de menor alcance –, mas a Rússia não tem por que encorajar um precedente. Além disso, a partir da era Bush júnior, os russos precisam levar mais a sério a possibilidade de um ataque “preventivo” dos EUA a seus silos, que deixaria aos russos sobreviventes poucas dezenas de mísseis para retaliação.
No complicado pôquer da dissuasão nuclear, dez antimísseis podem de fato fazer diferença – mesmo que seu verdadeiro propósito talvez seja o de mero prêmio de consolação para a Boeing e outros financiadores da campanha republicana desapontados com a postergação indefinida das ambições originalmente muito mais amplas do programa Guerra nas Estrelas.
Os governos de Varsóvia e Praga, ansiosos por se atrelar mais solidamente à carruagem de Washington e afastar o risco de retornarem ao rebanho de Moscou, receberam a iniciativa estadunidense com entusiasmo. Já a seus povos, o risco de se tornarem alvos preferenciais de um eventual choque entre potências parece bem menos atraente: pesquisas de opinião deste ano indicaram que 57% dos poloneses e 68% dos tchecos se opõem à instalação. Muito compreensível, especialmente considerando-se que a eficácia dessas armas é incerta mesmo contra mísseis baseados no velho Scud (como os usados por Saddam na primeira guerra do Golfo), quanto mais contra mísseis intercontinentais avançados. Muitos dos testes reportados fracassaram, inclusive o último, em 29 de maio.
Por lamentável que seja o autoritarismo de Moscou em sua política interna e nas suas relações com vizinhos, a deterioração nas relações com o Ocidente deve-se em maior grau à obsessão dos EUA com isolar ou neutralizar qualquer concorrência, diplomática ou militar, à sua hegemonia unilateral. Mesmo o ex-líder Mikhail Gorbachev, crítico de Putin, acusa a embriaguez de Washington com o sucesso no novo jogo iniciado após o fim da Guerra Fria, o do “novo império”.
Quando da invasão do Iraque, França e Alemanha esboçaram alinhar-se à Rússia para conter o unilateralismo estadunidense – e esta, por sua vez, somou-se ao Protocolo de Kyoto, passo decisivo para fazê-lo sair do papel. Entretanto, Chirac e Schroeder deixaram o governo, o fracasso da União Européia em aprovar seu projeto de constituição minou suas pretensões a uma política externa ativa e própria, enquanto seus interesses se distanciavam dos russos graças à disputa pelo preço do gás e por influência na Europa Oriental.
Conseqüentemente, a Rússia se afasta da parceria com os ricos com a qual lhe acenaram na era Clinton e tende a procurar aliados entre colegas exportadores de energia, tais como o Irã e a Venezuela. Ao mesmo tempo, o peso ainda enorme do G-8 na economia global começa a diminuir devido ao crescimento acelerado de alguns países emergentes, principalmente a China e a Índia. Apesar de estarem fora do clube, ambas as nações já são economicamente mais relevantes que membros tradicionais do grupo e também já se impuseram ao mundo como potências nucleares.
Em termos práticos, mesmo um difícil consenso do G-8 já não teria peso suficiente para ditar decisões ao mundo em muitos aspectos relevantes. Por essa razão, desde 2005, cinco grandes nações representativas dos países periféricos – China, Índia, Brasil, México e África do Sul – têm sido convidadas a conversar, configurando o chamado O-5 (“O” de outreach, extensão). Em termos de paridade de poder aquisitivo, o peso econômico dessas nações tem crescido na mesma proporção em que o do G-8 tem diminuído: em 1996, representavam 21% do PIB global ante 49% das oito potências, e hoje a proporção é de 42% para 28%.
O diálogo, entretanto, tem frustrado a principal expectativa dos europeus, principalmente da Alemanha de Angela Merkel – a saber, a aceitação pelo O-5 de um compromisso para limitar o aquecimento global a 2 graus, o que implica emissões globais em 50% até 2050. A China – que a partir do ano que vem deve tirar dos EUA o papel de maior emissor de gases de efeito estufa, assumiu também o papel antes reservado aos republicanos de Washington, o de pôr em dúvida as conclusões científicas sobre o aquecimento global.
Dentro do próprio G-8, Bush júnior insiste em um laissez-faire que inviabiliza uma decisão séria. Embora em fevereiro seu governo tenha abandonado o anterior ceticismo oficial sobre o aquecimento global, no Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas da ONU, levou ao G-8 uma proposta de “redução voluntária” de emissões, independentemente do Protocolo de Kyoto e de resoluções da ONU, cujo objetivo evidente era esvaziar os foros multilaterais e os avanços que obtiveram. Foi devidamente criticado pelo presidente Lula na entrevista ao jornal britânico Guardian de 1º de junho. Mesmo a China, a menos interessada em metas compulsórias, recusou a iniciativa de Washington como substituição do Protocolo.
Por outro lado, como outros países periféricos, a China recusa-se a aceitar metas de redução proporcionais às dos países ricos, com o argumento bastante razoável de que seu padrão de vida ainda é muito inferior e sua produção de poluentes per capita é cinco vezes menor que a dos EUA. Também exige ajuda financeira e tecnológica maciça para possibilitar que ela e outros países em vias de industrialização se desenvolvam sem agravar o problema ambiental, compromisso que os desenvolvidos estão longe de assumir.
A postura pode ser justa, mas o resultado prático é um impasse que poderá se prolongar até ser tarde demais para limitar as conseqüências provavelmente catastróficas do aquecimento global. Enquanto isso, acirra-se a disputa sobre fontes de energia e água cada vez mais escassas em relação ao crescimento acelerado da demanda global. Da superarmada Rússia à frágil Bolívia, países com reservas energéticas lutam para maximizar o valor de seus recursos e empregá-los em seu próprio crescimento econômico e industrial.
Se apagões energéticos e hídricos causados pela escassez objetiva não bastarem para agravar tensões internacionais, haverá o problema politicamente ainda mais complicado de dividir e administrar mundialmente as cotas de emissão de gases, potencialmente equivalentes à autorização ou proibição do crescimento econômico. E muitos cientistas não vêem qualquer alternativa prática e compatível com o controle do aquecimento global além de recorrer à energia nuclear em escala sem precedentes, multiplicando oportunidades para disseminação de armas nucleares, entre nações menores e mesmo grupos terroristas.
O mundo nunca precisou tanto de alguma espécie de governança global – e o G-8 nunca esteve tão distante do consenso necessário para formular uma proposta, quanto mais para torná-la aceitável aos novos poderes emergentes. Os EUA, a Rússia, a Europa e os novos países industrializados formam blocos de interesses aparentemente inconciliáveis: um busca hegemonia absoluta em todos os aspectos, o segundo tenta controlar a oferta da energia, o terceiro insiste em um status quo que já não consegue defender e o quarto em conquistar seu lugar ao sol. É uma receita não só para ressuscitar a Guerra Fria como para aquecê-la de maneira tão perigosa quanto ocorreu com a “paz armada” que antecedeu as guerras mundiais.