Twitter

segunda-feira, junho 18

A IMPRENSA E A DESILUSÃO POLÍTICA

Por: Antônio Augusto de Queiroz*
O Brasil está passando por um processo absolutamente curioso do ponto de vista da percepção e participação política. Na proporção em que avançam a transparência e o controle sobre os atos dos agentes políticos, aumentam a desilusão, o descrédito e a falta de disposição das pessoas para participarem da política, especialmente em razão dos custos de imagem. Há algo de muito errado nisso.
O modo como vêm sendo divulgados os recentes escândalos políticos – em geral captados e desvendados por órgãos oficiais – tem produzido um efeito contraditório. A ausência de qualquer menção aos avanços das instituições na percepção e descoberta de desvios, a partir do trabalho dos órgãos que combatem a corrupção – como Ministério Público, Controladoria Geral da União, Polícia Federal, Tribunal de Contas e Receita Federal – transmite a idéia de aumento da corrupção, quando ocorre exatamente o contrário, ou seja, o combate à corrupção.
Para corrigir esses equívocos de percepção e contribuir para a melhoria do padrão ético, a partir da punição exemplar dos culpados, duas ações são necessárias e a participação da imprensa é fundamental em ambas: uma de esclarecimento e outra de mudança legislativa e de postura dos membros dos três poderes.
A primeira – de esclarecimento – passa por mostrar que delinqüir tem custos e conseqüências sérias porque o Estado e a sociedade já dispõem de meios para descobrir, denunciar e processar seus atores, que responderão civil e penalmente pelos seus atos. Simplesmente denunciar, sem esses cuidados, deseduca porque passa a impressão de que o crime compensa, além da falsa idéia de aumento da deterioração do padrão ético.
A segunda – de mudança de postura e da legislação – consiste em cobrar das autoridades medidas voltadas para apurar, denunciar, julgar e punir os culpados, chamando à responsabilidade cada um dos três poderes. Do Poder Executivo exigir condições para aperfeiçoamento do trabalho dos órgãos de controle, fiscalização, transparência e responsabilização. Do Legislativo a discussão, formulação e votação de projetos que tornem célere a prestação jurisdicional, notadamente com mudanças nos códigos de processo para evitar recursos protelatórios que levam à prescrição dos processos e, em conseqüência, à impunidade. E do Judiciário, rigor e celeridade no ato de julgar.
O Brasil, desde a Constituição de 1988, já melhorou muito os mecanismos de fiscalização, controle e responsabilização dos agentes públicos, tanto pela profissionalização da burocracia, a partir do mérito e do concurso público, quanto pela criação de órgãos e de atribuições voltadas para a transparência da gestão estatal.
A impressão de impunidade é real porque se espelha na punição de detentores de mandato, cujo processo de julgamento passa por três etapas. A primeira é interna corpori, ou seja, os parlamentares julgam seus colegas e, nos casos do mensalão e das sanguessugas, houve absolvição quase que generalizada. A segunda é o julgamento das urnas, e nesse particular já houve avanço, a ponto de terem retornado apenas cinco dos 84 deputados denunciados na CPI das sanguessugas. O terceiro é o processo judicial, produto de denúncia do Ministério Público.
No julgamento do Judiciário é que está o principal problema. A frouxidão dos códigos de processo, que permitem reiterados recursos (quase todos de natureza protelatória), e a lentidão do Judiciário levam, quase que invariavelmente, à prescrição e extinção do processo antes do julgamento do mérito. Quem possui recursos para contratar bons advogados, mantidas as atuais regras, nunca será punido penal e civilmente.
A tarefa, portanto, é persistir no aperfeiçoamento dos mecanismos de controle e, principalmente, cobrar das autoridades mudanças nos códigos de processo para dar celeridade à prestação jurisdicional, punindo exemplarmente todos os culpados. E a imprensa é fundamental nesse processo. A mera denúncia – sem essas preocupações – apenas aprofunda o ceticismo e a desilusão com a política, além de afastar quadros éticos da disputa política e contribuir para piorar a qualidade da representação.
* Jornalista, analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

domingo, junho 17

OLHA A PIZZA

Mais uma Pizza está saindo do forno do Conselho de Ética do Senado. O caso Renan Calheiros (PMDB-AL) ao qual, tudo indica que pagava pensão para sua filha constituída em uma relação extraconjugal com dinheiro de Lobistas. O Conselho de Ética ouve nesta segunda o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Jr., acusado de pagar despesas pessoais do presidente do Senado, e o advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon. A principal testemunha não irá ser ouvida que é a própria Mônica Veloso.

AS CRUZADAS MORAIS SELETIVAS DO SENADOR SIMON

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) ficou conhecido nacionalmente como um paladino da moralidade e da luta contra a corrupção. Neste domingo, o senador propõe, em um artigo publicado na Folha de São Paulo, que a população saia às ruas contra a corrupção e pelo fim da impunidade. Intitulado “Reage, Brasil!”, o artigo diz, entre outras coisas, que “nunca, em nenhum momento da nossa história política, os três Poderes da República estiveram tão contaminados pela corrupção”. Simon não apresenta nenhum dado para sustentar tal afirmação, apelando para sua biografia como elemento de prova do que está dizendo. As cruzadas morais do senador gaúcho têm uma particularidade curiosa. Elas nunca se referem às denúncias de corrupção que atingem seus correligionários no Rio Grande do Sul. Quando tais denúncias surgem na província de São Pedro, envolvendo políticos de seu partido ou aliados, reina o silêncio. Alguém lembra de algum pronunciamento irado e indignado do senador Simon, cobrando investigações rigorosas sobre as denúncias contra a Máfia das Consultas, levantadas por uma série de reportagens do jornalista Giovani Grizotti? Denúncias que envolveram, entre outros, Elmar Schneider e João Osório, políticos do PMDB. Alguém ouviu algum comentário sobre o texto publicado no site da Assembléia Legislativa, onde o ex-deputado Schneider diz que “nos primeiros quatro anos de mandato em que trabalhou em parceria com o seu companheiro de partido, deputado João Osório, foram contabilizadas mais de quinhentos atendimentos mensais entre baixas em hospitais, cirurgias e consultas de rotina”, feito obtido através da intermediação dos seus respectivos mandatos? (clique AQUI para ler). Alguém ouviu algum discurso inspirado condenando a utilização de albergues por deputados para angariar votos, conforme denúncias que envolveram entre outros, os deputados Osvaldo e Márcio Biolchi, do PMDB?
Alguém lembra de uma fala de Simon cobrando explicações do vereador Luizinho do Sete, do PMDB de Sapucaia do Sul (RS), que contratou a mulher, a sogra, o filho e o gerente da loja de carros da qual o edil é proprietário? Ou ainda, alguém lembra de algum pedido de explicações do senador sobre o processo de privatização da Companhia Riograndense de Telefonia (CRT), durante o governo Britto, do PMDB, que contou, entre outras coisas, com a nebulosa participação da RBS, principal empresa de comunicação do Estado, e do grupo Oportunity, onde Britto foi trabalhar após deixar o governo? As cruzadas morais do senador parecem ser marcadas por uma curiosa seletividade geográfica e política. Uma seletividade que ajuda a identificar o lugar a partir do qual ele realmente fala.

Marco Weissheimer RS Urgente.

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO

Algumas semanas atrás, numa postagem feita por um anônimo aqui neste blog (possivelmente filhote da corja que administra esse município), ele falava mal do Orçamento participativo, pois, hoje vou falar da experiência maravilhosa que os moradores de São Leopoldo estão vivendo. Não bastasse ser a cidade que mais construiu casas para pessoas de baixa renda de toda nossa região e grande Porto Alegre o Orçamento Participativo “está a milhão”. Esta semana o prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, visitou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Alberto Pasqualini. O objetivo da vistoria foi acompanhar o andamento da obra da quadra poliesportiva na instituição, localizada no bairro Campina. A obra foi reivindicada pela comunidade através do Orçamento Participativo. Além da quadra, foram construídos vestiários e palco. Vanazzi destacou que a demanda está sendo muito esperada pela população, pois o bairro é carente de quadras. "Esta construção é importante para a comunidade que poderá participar e cuidar da área, e ainda melhorar o aproveitamento dos estudantes que terão um espaço qualificado para realizarem atividades recreativas, esportivas e de lazer", frisou. ExpectativaPara a diretora da escola, Silvia Maria Kunrath, a expectativa da direção e dos estudantes em relação a obra é muito grande. "Os alunos acompanharam o andamento das obras desde o início e estão ansiosos para utilizarem o local", afirmou. Ela comemorou a realização desta obra tão importante na escola. "Tenho 19 anos de município e é a primeira vez que vejo uma administração investir em uma obra de qualidade na periferia. Sempre morei e trabalhei em bairro e para nós é uma satisfação ver isto se realizando. Estou muito feliz", destacou. A titular da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer (Smed), Maria Luiza Sedrez, e a chefe do setor de Projetos da Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação, Carla Gorski, acompanharam a vistoria. A equipe foi acompanhada pela diretora e as supervisoras Carla Doebber e Rosane Herpich. O valor orçado para construção foi de R$ 359.050,60. A área da obra consiste em 599,93 metros quadrados.
Enquanto que no nosso município as coisas são decididas dentro de quatro paredes, como o “elefante branco” do Palco Móvel, em outros municípios com administrações sérias as coisas acontecem e com a participação da população.

sexta-feira, junho 15

"NOVO JEITO DE GOVERNAR"

Avaliação do governo Yeda Crusius despenca no RS
Marco Aurélio Weisseimer - Carta Maior
A aprovação do governo Yeda Crusius (PSDB) segue caindo no Rio Grande Sul, conforme dados levantados pela mais recente pesquisa do Instituto da Universidade Luterana do Brasil (Dataulbra). Na pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13), a aprovação do governo do Estado atingiu o índice de 30,7%, registrando queda em relação a abril (36%) e a fevereiro (52%).Ou seja, em cinco meses, o governo Yeda perdeu mais de 20 pontos em termos de aprovação, caindo de 52% para 30,7%. A pesquisa foi realizada de 4 a 6 de junho de 2007 em 43 municípios gaúchos, abrangendo quatro intervalos demográficos (1-30 mil; 30-50 mil, 50-100 mil eleitores e acima de 100 mil). Ao todo, foram realizados 1.133 questionários em cidades de 12 regiões do Estado A margem de erro é de 3%.60,5% reprovam modo de Yeda governarDo total de entrevistados, 55,6% disseram não acreditar que Yeda Crusius fará um bom governo e 65% responderam que ela não está cumprindo as promessas de campanha. Já 45,9% responderam que o governo de Yeda não está sendo nem melhor nem pior do que o governo anterior (Germano Rigotto, do PMDB).A avaliação Ruim/Péssimo de Yeda chegou a 43,3%, contra apenas 16,1% de Bom/Ótimo e 34,7% de Regular. Quando perguntados se aprovam ou não o modo como a governadora vem conduzindo o Estado, 60,5% responderam que não aprovam, contra 30,7% de aprovação.Comparação com governo LulaA pesquisa também avaliou o governo federal no RS: 55% dos entrevistados aprovaram o desempenho do governo Lula (índice superior aos 52% verificados em abril). O presidente Lula obteve nota 5,7 (contra 5,6 em abril e 6,0 em fevereiro).Já Yeda ganhou nota 4,3 (4,2 em abril em 5,3 em fevereiro). Ainda em relação ao governo federal, 54,6% dos entrevistados acreditam que o presidente Lula fará um bom governo, mas 50,1% pensam que ele não está cumprindo suas promessas de campanha. Para 40%, o segundo governo Lula não está sendo nem melhor, nem pior que o primeiro.Assim, na comparação entre os desempenhos dos governos Lula e Yeda, os números do Dataulbra ficaram assim:Lula: 55% de aprovação - Nota 5,7Yeda: 30,7% de aprovação - Nota 4,3Os números da nova pesquisa do Dataulbra (a terceira este ano) indicam que a governadora começa a perder, já no início de seu governo, boa parte do capital político acumulado nas eleições de 2006. Yeda recebeu 51,54% dos votos totais e 53,94% dos válidos. Olívio Dutra (PT) ficou com 44,01% 46,06% dos válidos). Foi no Rio Grande do Sul também que Lula teve um de seus piores desempenhos eleitorais. O candidato tucano Geraldo Alckmin recebeu 55,35% dos válidos contra 44,65% de Lula. Agora, após cinco meses, o "novo jeito de governar", bordão de Yeda na campanha, acumula mais de 60% de desaprovação entre o eleitorado gaúcho.

quinta-feira, junho 14

REFORMA POLÍTICA






















Pelos debates, maioria é contrária à lista fechada; votação é adiada
Definitivamente não haverá consenso para votar a reforma política configurada no PL 1.210/07. Por quase dez horas, os deputados debateram nesta quarta-feira, 13/06, no plenário da Câmara os eixos que estruturam o projeto – financiamento público exclusivo de campanha e a lista fechada.

No debate, o que se viu foi um “bombardeio” contra a lista fechada. O voto em lista nada mais é que o fim do voto no candidato para se votar no partido.

A votação dos dois itens da reforma política foi adiada para a próxima terça-feira, dia 19. O resultado ainda é uma incógnita. Apenas três partidos decidiram votar a favor da lista – PT, PCdoB e o DEM. Mesmo assim no PT, a metade da bancada é contrária à lista. São totalmente contrários, o PDT, PSB e, por maioria, PP, PTB, PSDB e PR.

Tal como está formulada hoje, a tendência é que a lista seja derrotada, considerando-se o debate desta quarta-feira. Uma série de outros temas foi inserida no debate como o voto distrital puro e uma variação dele, o misto. O projeto recebeu 244 emendas de plenário.

O fiel da balança
O fiel da balança para adiar a votação foi o PSDB. A bancada tucana na Câmara, com 57 deputados, tendia a votar favoravelmente à instituição da lista partidária fechada, mas decidiu votar contra a medida em reunião realizada na terça, dia 12. Os líderes partidários haviam acertado que a adoção das listas partidárias seria o primeiro ponto da reforma política a ser examinado.

Diante da divisão, o deputado Ronaldo Caiado (DEM/G), um dos relatores do projeto, vai agora examinar todas as propostas para apresentar outro projeto de lei (substitutivo), com algumas mudanças.

Alguns parlamentares defendem sistemas alternativos, capazes de assegurar tanto a escolha pessoal do candidato da preferência do eleitor quanto o peso partidário ou ideológico nas eleições.

É nessa linha que deve caminhar a nova proposta de Caiado. Ele pode incorporar ao substitutivo emenda da deputada Rita Camata (PMDB/ES) que possibilita ao eleitor votar em uma lista determinada pelos partidos, mas dando-lhe a chance de escolher o seu preferido dentre os nomes apresentados. Há ainda a possibilidade de se incorporar uma emenda que determina que o voto seja facultativo.

DEBATE ABERTO

Os atributos de Vavá
Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva.
Passei um mês fora do Brasil, e me esqueci, por causa daquelas correrias, de pedir a transferência dos jornais entregues por assinatura para o endereço de uma das minhas filhas. Resultado: como a faxineira que freqüenta minha casa é muito diligente e respeitadora, lá estavam eles – os jornais – convenientemente empilhados, aliás, gigantescamente empilhados. O folhear daquela pilha passadiça me confirmou a impressão que eu tivera pela internet. Os deserdados do segundo turno de outubro de 2006 continuam na ativa – ainda que deserdados, é verdade. Não há o que fazer, para eles, a não ser CPIs, e procurar ataques à probidade do presidente. Não há programas a apresentar, idéias a debater. Só a moral do presidente interessa, e só a do presidente e de seus arredores. Criaram, na imprensa, um personagem fantástico, feito de retalhos de inquéritos, retalhos de declarações do próprio presidente, retalhos de declarações de seu sósia na vida real, o cidadão brasileiro Genivaldo Inácio da Silva, irmão mais velho do mandatário da nação. Esse personagem chama-se Vavá. Vavá está em toda a parte, Vavá é o band-aid da falta de assunto, Vavá é imorredouro, Vavá é tudo e é nada, é lobista e é ingênuo, é um vírus e é o inocente-útil, é falastrão e é calado, tudo depende da manchete e da notícia. Vavá é melhor do que Roberto Jefferson: ao contrário deste, Vavá quase nada parece ter a dizer. Então pode se lhe atribuir tudo. Vavá ligou para o presidente. O outro irmão do presidente ligou para Vavá. Aliás, não se sabe se foi propriamente o irmão, só se sabe ao certo que o telefonema partiu de um telefone da família, e que provavelmente a voz em questão deve ser desse outro irmão. É uma novela de suposições. Provas, investigação jornalística, muito pouco há. Há ilações a partir de fragmentos de relatórios e inquéritos, de conjeturas e suposições. Mas de tudo se pode tirar uma conclusão segura. O que interessa mesmo é mostrar como Vavá (o personagem, do irmão de Lula, pelo noticiário, pouco sei), esse Vavá, é canhestro, é desajeitado, como ele parece ter feito lobby sem saber fazer lobby. Lobby, afinal, é coisa de gente fina. Pobre faz lobby? Não, responde esse noticiário grotesco. Pobre pede. É diferente. A conclusão dessa leitura acumulada é uma só: é nisso que dá por alguém "do povo" no Palácio do Planalto. É que nem casamento: os noivos não casam só um com a outra, ou com o outro, ou uma com a outra, nestes novos tempos (felizmente) mais abertos que o Brasil vive; os noivos casam com as respectivas famílias também. E vejam no que dá fazer a família de pobre (e petista ainda por cima!) chegar à rampa do Palácio. Dá lobby? Não, não só. Dá ridículo, dá vergonha, é isto que o noticiário exala. Pobre é desajeitado, quando fala se lambuza de palavras e de poder, vejam só! Enquanto isso, o país vai melhor. Em muitas coisas, em outras não, é claro. A economia vai melhor, o povo vai melhor, muito melhor do que nunca esteve, pelo menos desde os tempos dos finados doutores Getúlio e Juscelino. O dólar baixa, o poder aquisitivo cresce, as famílias tem mais dinheiro para gastar (há economistas preocupadíssimos com isso), o euro nunca esteve tão baixo em relação ao real, a economia se aquece aqui e ali, ou seja, há um país inteiro a decifrar: que pauta! Mas as esfinges do nosso jornalismo ímpares só têm uma pergunta a se fazer: como impedir daqui para frente que o povo possa imaginar que um deles – ou mesmo um que governe em nome deles, por eles e para eles – possa permanecer impune, imune, no Palácio do Planalto. Flávio Aguiar é editor-chefe da Carta Maior.

TARCÍSIO ESPERA MAIS DO GOVERNO FEDERAL

Diante do anúncio das medidas para estimular os setores prejudicados pela cotação do dólar, feito no início da semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o deputado Tarcísio Zimmermann fez a seguinte manifestação: "Enfim, parece que a equipe econômica do Governo levou um puxão de orelhas do Presidente Lula".
Tarcísio, no entanto, vê com reserva as novas medidas anunciadas, que consistem, basicamente, na disponibilização de financiamentos com condições privilegiadas para os setores exportadores, na área do crédito: "Isto nós já conquistamos há mais de um ano, quando o Governo disponibilizou cerca de um bilhão de reais em linhas de crédito para os setores intensivos em mão-de-obra. Mas não foi o suficiente para resolver os problemas dos exportadores, uma vez que grande parte das empresas tem problemas cadastrais devido às suas dívidas acumuladas, ficando impossibilitadas de acessar esses créditos. Apesar de serem bem-vindos estes novos financiamentos, o que realmente precisamos, agora, são de medidas de maior profundidade que reduzam os custos da produção no País", frisou o deputado.
Tarcísio lembra, ainda, que no dia 22 de março, o Ministério da Fazenda recebeu relatórios que comprovavam o alto aumento da carga de PIS e COFINS nos últimos anos e que, portanto, o Ministério já teria tido tempo suficiente para se manifestar sobre este assunto, que é de crucial relevância para a solução da crise. "Estas medidas inicialmente anunciadas são importantes, mas continuaremos pressionando o Governo a adotar ações que efetivamente devolvam a competitividade à nossa produção, sobretudo ações que incidam sobre o campo tributário", finalizou.

A GUERRA REQUENTADA

por Antonio Luiz M. C. Costa - Carta Capital

Embora o G-8 seja o fórum dos maiores poderes reais do planeta – mais de dois terços do PIB (segundo a taxa de câmbio) e 97% das armas nucleares do mundo – e suas iniciativas não sejam embaraçadas por estruturas burocráticas ou votações complexas, suas reuniões geralmente foram mornas, rotineiras e aparentemente amigáveis.
Salvo algumas medidas de coordenação contra o terrorismo e a pedofilia, suas resoluções desde 1997, quando a incorporação da Rússia deu ao fórum a configuração atual (que soma nove membros com a União Européia), não foram muito além de promessas vazias de ajudar países pobres, reduzir barreiras comerciais e, nos últimos anos, também de pensar mais seriamente no aquecimento global. Abafada pela malfadada incursão israelense no Líbano, a reunião de 2006, em São Petersburgo (Rússia), mal foi notada.
Desta vez, porém, criou-se um clima de tensão e real expectativa em torno da reunião no balneário de Heiligendamm – perto de Rostock, na antiga Alemanha Oriental. Não pelo ativismo dos críticos da globalização, embora estes estejam recuperando o ímpeto perdido com o 11 de setembro e tenham dado trabalho aos 16 mil integrantes das forças de segurança mobilizadas para mantê-los a distância. As razões mais fortes para ansiedade estão nos crescentes desentendimentos entre as potências nucleares sobre questões cada vez mais difíceis de ignorar ou adiar.
Em 17 de janeiro, os especialistas do Boletim de Cientistas Atômicos adiantaram em 2 minutos – até 5 para meia-noite, a hora mais adiantada desde o fim da Guerra Fria – o “relógio do fim do mundo”, que, desde 1947, procura medir o risco de extinção da humanidade.
Agora, as razões do ajuste não estavam nas tensões entre Washington e Moscou, mas nas ambições nucleares de nações periféricas como Irã e Coréia do Norte, nos riscos de tráfico nuclear e, pela primeira vez, também a ameaça do aquecimento global. Esta, segundo o físico britânico Stephen Hawking, porta-voz da publicação, representa agora uma ameaça maior que o terrorismo.
Cinco meses depois, há motivos para pensar que o Boletim vai mover o ponteiro para ainda mais perto da vertical. Não só os novos problemas continuam sem solução à vista, como os velhos voltam com roupagem diferente.
O presidente russo Vladimir Putin preparou-se para a reunião do G-8 com um exercício não visto em seu país há algum tempo: o teste de um novo míssil balístico intercontinental. Substituto dos mísseis RS-18 e RS-20 (lançados em 1967 e 1974 e capazes de conduzir seis e dez ogivas, respectivamente), o RS-24 foi apresentado como capaz não só de transportar dez ogivas, como também de alterar sua altitude e curso em vôo hipersônico, para evadir defesas antimísseis. O Kremlin esclareceu tratar-se de uma resposta à instalação desse tipo de defesa pelos EUA na Europa Oriental e ameaçou transformá-la em mais um alvo de seus mísseis, caso o Pentágono prossiga com seus planos.
Washington quer dez antimísseis interceptadores na Polônia, combinados a uma estação de radar na República Tcheca. O pretexto é proteger os aliados de um eventual ataque nuclear do Irã ou da Coréia do Norte. Teerã ainda está muito longe dessa capacidade. Se esta existisse e os aiatolás tivessem algum interesse concebível em atacar a Europa, o local adequado para a defesa seria a Turquia, membro tradicional da Otan. Quanto à Coréia do Norte, é evidente que, caso tivesse mísseis com esse alcance, os apontaria na direção oposta. O desafio é tão claro quanto o de Kruchev ao instalar mísseis em Cuba, em 1962 – o momento em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear.
Dez antimísseis parecem pouco ante os 927 mísseis intercontinentais em poder de Putin – sem falar de milhares de mísseis nucleares de menor alcance –, mas a Rússia não tem por que encorajar um precedente. Além disso, a partir da era Bush júnior, os russos precisam levar mais a sério a possibilidade de um ataque “preventivo” dos EUA a seus silos, que deixaria aos russos sobreviventes poucas dezenas de mísseis para retaliação.
No complicado pôquer da dissuasão nuclear, dez antimísseis podem de fato fazer diferença – mesmo que seu verdadeiro propósito talvez seja o de mero prêmio de consolação para a Boeing e outros financiadores da campanha republicana desapontados com a postergação indefinida das ambições originalmente muito mais amplas do programa Guerra nas Estrelas.
Os governos de Varsóvia e Praga, ansiosos por se atrelar mais solidamente à carruagem de Washington e afastar o risco de retornarem ao rebanho de Moscou, receberam a iniciativa estadunidense com entusiasmo. Já a seus povos, o risco de se tornarem alvos preferenciais de um eventual choque entre potências parece bem menos atraente: pesquisas de opinião deste ano indicaram que 57% dos poloneses e 68% dos tchecos se opõem à instalação. Muito compreensível, especialmente considerando-se que a eficácia dessas armas é incerta mesmo contra mísseis baseados no velho Scud (como os usados por Saddam na primeira guerra do Golfo), quanto mais contra mísseis intercontinentais avançados. Muitos dos testes reportados fracassaram, inclusive o último, em 29 de maio.
Por lamentável que seja o autoritarismo de Moscou em sua política interna e nas suas relações com vizinhos, a deterioração nas relações com o Ocidente deve-se em maior grau à obsessão dos EUA com isolar ou neutralizar qualquer concorrência, diplomática ou militar, à sua hegemonia unilateral. Mesmo o ex-líder Mikhail Gorbachev, crítico de Putin, acusa a embriaguez de Washington com o sucesso no novo jogo iniciado após o fim da Guerra Fria, o do “novo império”.
Quando da invasão do Iraque, França e Alemanha esboçaram alinhar-se à Rússia para conter o unilateralismo estadunidense – e esta, por sua vez, somou-se ao Protocolo de Kyoto, passo decisivo para fazê-lo sair do papel. Entretanto, Chirac e Schroeder deixaram o governo, o fracasso da União Européia em aprovar seu projeto de constituição minou suas pretensões a uma política externa ativa e própria, enquanto seus interesses se distanciavam dos russos graças à disputa pelo preço do gás e por influência na Europa Oriental.
Conseqüentemente, a Rússia se afasta da parceria com os ricos com a qual lhe acenaram na era Clinton e tende a procurar aliados entre colegas exportadores de energia, tais como o Irã e a Venezuela. Ao mesmo tempo, o peso ainda enorme do G-8 na economia global começa a diminuir devido ao crescimento acelerado de alguns países emergentes, principalmente a China e a Índia. Apesar de estarem fora do clube, ambas as nações já são economicamente mais relevantes que membros tradicionais do grupo e também já se impuseram ao mundo como potências nucleares.
Em termos práticos, mesmo um difícil consenso do G-8 já não teria peso suficiente para ditar decisões ao mundo em muitos aspectos relevantes. Por essa razão, desde 2005, cinco grandes nações representativas dos países periféricos – China, Índia, Brasil, México e África do Sul – têm sido convidadas a conversar, configurando o chamado O-5 (“O” de outreach, extensão). Em termos de paridade de poder aquisitivo, o peso econômico dessas nações tem crescido na mesma proporção em que o do G-8 tem diminuído: em 1996, representavam 21% do PIB global ante 49% das oito potências, e hoje a proporção é de 42% para 28%.
O diálogo, entretanto, tem frustrado a principal expectativa dos europeus, principalmente da Alemanha de Angela Merkel – a saber, a aceitação pelo O-5 de um compromisso para limitar o aquecimento global a 2 graus, o que implica emissões globais em 50% até 2050. A China – que a partir do ano que vem deve tirar dos EUA o papel de maior emissor de gases de efeito estufa, assumiu também o papel antes reservado aos republicanos de Washington, o de pôr em dúvida as conclusões científicas sobre o aquecimento global.
Dentro do próprio G-8, Bush júnior insiste em um laissez-faire que inviabiliza uma decisão séria. Embora em fevereiro seu governo tenha abandonado o anterior ceticismo oficial sobre o aquecimento global, no Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas da ONU, levou ao G-8 uma proposta de “redução voluntária” de emissões, independentemente do Protocolo de Kyoto e de resoluções da ONU, cujo objetivo evidente era esvaziar os foros multilaterais e os avanços que obtiveram. Foi devidamente criticado pelo presidente Lula na entrevista ao jornal britânico Guardian de 1º de junho. Mesmo a China, a menos interessada em metas compulsórias, recusou a iniciativa de Washington como substituição do Protocolo.
Por outro lado, como outros países periféricos, a China recusa-se a aceitar metas de redução proporcionais às dos países ricos, com o argumento bastante razoável de que seu padrão de vida ainda é muito inferior e sua produção de poluentes per capita é cinco vezes menor que a dos EUA. Também exige ajuda financeira e tecnológica maciça para possibilitar que ela e outros países em vias de industrialização se desenvolvam sem agravar o problema ambiental, compromisso que os desenvolvidos estão longe de assumir.
A postura pode ser justa, mas o resultado prático é um impasse que poderá se prolongar até ser tarde demais para limitar as conseqüências provavelmente catastróficas do aquecimento global. Enquanto isso, acirra-se a disputa sobre fontes de energia e água cada vez mais escassas em relação ao crescimento acelerado da demanda global. Da superarmada Rússia à frágil Bolívia, países com reservas energéticas lutam para maximizar o valor de seus recursos e empregá-los em seu próprio crescimento econômico e industrial.
Se apagões energéticos e hídricos causados pela escassez objetiva não bastarem para agravar tensões internacionais, haverá o problema politicamente ainda mais complicado de dividir e administrar mundialmente as cotas de emissão de gases, potencialmente equivalentes à autorização ou proibição do crescimento econômico. E muitos cientistas não vêem qualquer alternativa prática e compatível com o controle do aquecimento global além de recorrer à energia nuclear em escala sem precedentes, multiplicando oportunidades para disseminação de armas nucleares, entre nações menores e mesmo grupos terroristas.
O mundo nunca precisou tanto de alguma espécie de governança global – e o G-8 nunca esteve tão distante do consenso necessário para formular uma proposta, quanto mais para torná-la aceitável aos novos poderes emergentes. Os EUA, a Rússia, a Europa e os novos países industrializados formam blocos de interesses aparentemente inconciliáveis: um busca hegemonia absoluta em todos os aspectos, o segundo tenta controlar a oferta da energia, o terceiro insiste em um status quo que já não consegue defender e o quarto em conquistar seu lugar ao sol. É uma receita não só para ressuscitar a Guerra Fria como para aquecê-la de maneira tão perigosa quanto ocorreu com a “paz armada” que antecedeu as guerras mundiais.

sexta-feira, junho 1

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL

Próximo Fórum Social Mundial, em 2009, será em Belém do Pará
Reunidos na Alemanha desde o dia 29, os membros do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial decidiram, nesta quinta, que a próxima edição do evento acontecerá em Belém. Cidade bateu candidatos como Indonésia e Coréia do Sul.

DEPUTADO COBRA "ATITUDE" POR PARTE DO GOVERNO FEDERAL

O deputado Tarcísio está bastante apreensivo com os rumos que o setor coureiro-calçadista está tomando. Depois de mais uma reunião da Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista com o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, no último dia 29 de maio, Tarcísio relata que não houve qualquer sinalização, por parte do Governo, de adotar, pelo menos por enquanto, alguma medida efetiva de apoio aos setores intensivos em mão-de-obra, como o coureiro-calçadista. Para o deputado "o Governo Federal parece não ter compreendido a gravidade da crise pela qual estes setores estão passando". Ele relatou que, novamente, foi enfatizada com o Sr. Nelson Machado a necessidade urgente de o Governo Federal adotar medidas como, por exemplo, a desoneração do PIS e do COFINS.
Somente nos três primeiros meses de 2007, estima-se que quatro mil trabalhadores do calçado, no Brasil, tenham perdido seus empregos e "a perspectiva que infelizmente desponta é a de agravamento da situação, com o fechamento de mais empresas", lamenta o deputado.
Para minimizar os impactos sociais da crise, Tarcísio propôs à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados o agendamento de uma audiência com o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o que deverá acontecer já no começo de junho. "Vamos reivindicar ao Ministro Carlos Lupi a ampliação do número de parcelas do seguro-desemprego e o oferecimento de cursos de aperfeiçoamento profissional aos trabalhadores do setor que forem demitidos", informou o deputado.
Tarcísio lembra que o Governo Federal, no passado, mostrou-se bastante sensível aos prejuízos do setor, tanto que em novembro de 2005, o presidente Lula teve um encontro histórico com as lideranças coureiro-calçadistas. A partir daquele momento, foram liberados mais de 1 bilhão de reais para linhas de crédito específicas para o setor coureiro-calçadista, com taxas e prazos verdadeiramente vantajosos. Também houve a prorrogação por mais dois meses do seguro-desemprego aos trabalhadores demitidos em 2005 e 2006. Além disso, houve restrição às importações através do imposto de 35% para os calçados chineses e um maior monitoramento das importações para combater o contrabando e o sub-faturamento. No entanto, apesar de todos os esforços do Governo Federal nos dois últimos anos, a economia brasileira, e especialmente a gaúcha, está sofrendo muito por conta da política monetária.
"Vivemos um drama econômico e social. Os empregos estão desaparecendo, as empresas estão indo à falência e há intranqüilidade econômica e social. A saída está em diversificarmos a nossa economia, mas para isso é imprescindível que os trabalhadores tenham qualificação profissional e suporte para atravessar este período de transição", afirma Tarcísio.

quarta-feira, maio 30

O QUE É NOTÍCIA

CLIQUE NO LINK E VC VERÁ A MATÉRIA COMPLETA
30/05/2007
Brasil
09h50
Ministra do STJ quebra sigilo de inquérito sobre Operação Navalha
Brasil
07h49
Ex-ministro Silas Rondeau e dois governadores prestam depoimento hoje no STJ
29/05/2007
Brasil
19h36
PF vai investigar delegados envolvidos em suposto vazamento e fraude
Brasil
14h18
STJ afasta diretor da PF e mais dois delegados por vazamento e fraudes
Brasil
13h35
PSOL entra com representação no Conselho de Ética contra Renan
Brasil
11h58
Renan diz que não se afasta do cargo; Peres defende licenciamento
Brasil
10h49
Ministra do STJ determina afastamento de três delegados da PF
Brasil
08h46
Ministra do STJ intima Rondeau e dois governadores a depor
28/05/2007
Brasil
20h13
Documentos apresentados por Renan não mostram origem dos pagamentos
Brasil
17h00
Renan diz que é amigo de lobista e nega ter recebido dinheiro de empreiteira
Brasil
16h16
Renan pede perdão à família e critica ataque pessoal
Brasil
12h45
Presidente do PSDB diz que são graves as denúncias contra Renan
Brasil
09h40
Lula diz que, até provarem o contrário, Renan é inocente
Brasil
04h27
STJ toma depoimento de filho do dono da Gautama e de mais quatro
27/05/2007
Brasil
19h11
STF solicita informações ao STJ para analisar habeas corpus a dono da Gautama
Brasil
18h08
Renan prepara defesa para rebater acusações de ligação com lobista de empreiteira
Brasil
12h19
STF julga habeas corpus de Zuleido neste domingo

sexta-feira, maio 25

AUDIÊNCIA PÚBLICA DEBATE REESTRUTURAÇÃO DO BANCO DO BRASIL

Atendendo o requerimento dos deputados Tarcísio Zimmermann e Pepe Vargas (PT/RS), a Comissão do Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara de Deputados realizou audiência pública, na última quarta-feira, para debater os impactos do plano de reestruturação do Banco do Brasil. A preocupação com a piora no atendimento nas agência do BB dominou os debates, uma vez que entre as medidas propostas pelo plano prevêem cortes de custos administrativos, centralização de atividades, redução de 3.900 postos de trabalho, incentivos à demissão voluntária, antecipação de aposentadorias e terceirização de mão-de-obra. Tarcísio Zimmermann criticou a extinção de 4.284 caixas do Banco do Brasil em todo o País. "Hoje já é muito difícil pagar qualquer conta no Banco do Brasil. Como o banco vai cumprir a legislação que limita o prazo de atendimento nas filas com o corte no número de caixas?", indagou. O deputado lembrou que o BB tem sido citado, com outros bancos públicos, como um campeão de filas.
O deputado fez um apelo aos dirigentes do Banco do Brasil para que sejam postergadas as medidas que fecham gerências regionais e caixas executivos e para que não seja ampliada a terceirização de serviços na instituição. Segundo Tarcísio, o Banco do Brasil é um bem público e seu compromisso primeiro deve ser com a qualidade do atendimento e com as políticas de desenvolvimento do País. "Não dá para entender como um Banco com altos lucros como o BB possa alegar que precisa diminuir o já escasso atendimento direito à população para preservar seus lucros. Por isso é necessário que a Direção do Banco do Brasil discuta mais com a comunidade e com os seus trabalhadores as medidas que está implementando", disse ele.
Participaram da audiência o presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto; o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Vagner Freitas de Moraes; o diretor-administrativo da Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul, Mauro Rui Tellitu Cardenas; e o representante da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, Marcel Barros.

quarta-feira, maio 23

DESMORALIZAÇÃO P/ COM OS BRIGADIANOS


foto ilustrativa

No blog da rádio Gaúcha, Antônio Carlos Macedo apresenta um retrato breve do quão distantes andam os discursos (e as rezas) dos secretários de Segurança da verdadeira (e dura) realidade dos homens e mulheres responsáveis pela segurança dos gaúchos. Ele escreve:

"Virei uma espécie de muro de lamentações dos soldados da Brigada Militar. A categoria não pára de enviar queixas sobre as dificuldades que enfrenta para trabalhar. A mais recente envolve a falta de coturnos

para reposição dos calçados velhos, desgastados pelo excesso de uso. Outra reclamação é sobre o aperto nas escalas. Tem PM que sai do serviço e seis horas depois está escalado de novo, sem intervalo suficiente para se alimentar e descansar. "Se a reportagem investigar, verá que as escalas são desumanas e encontrará policiais custeando do próprio bolso o material necessário para trabalhar", protesta o pai de um brigadiano em mensagem enviada à coluna. "Muitos estão trabalhando no limite físico e emocional. As últimas explosões de violência, com certeza, têm a ver com isso", completa.

Ainda sobre segurança, o ex-secretário número 1 de Yeda, Ênio Bacci, usou o espaço gratuito do PDT na televisão para, mais uma vez, sugerir que o governo do Estado está mancomunado com a bandidagem. Não é demais lembrar que Bacci já sugeriu que Yeda correu da raia na hora de enfrentar a banda podre. Se bem que o próprio Bacci tinha em seu gabinete um delegado que, pelos antecedentes, não era exatamente um expoente da banda boa da organização. (Maneco)


por Marco Weissheimer

segunda-feira, maio 21

INVESTIGAÇÃO PODE CAUSAR ESTRAGOS NA POLÍTICA

Depoimentos e avaliações mais minuciosas dos documentos em poder da Polícia Federal darão, a partir de hoje, a dimensão do estrago que a Operação Navalha poderá provocar, em particular, no meio político. Os desdobramentos da operação, deflagrada na quinta-feira pela PF, que prendeu suspeitos de fazer parte de um esquema de desvio de recursos de obras públicas, em nove estados e no Distrito Federal, são aguardados hoje com apreensão no Congresso Nacional. Mais uma vez, no epicentro dos escândalos, as emendas parlamentares ao Orçamento Geral da União. Os depoimentos de Zuleido Veras e de sua braço-direito, a diretora comercial da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, que podem ser colhidos até o fim da semana, assim como análise de todo o círculo de amizades do empreiteiro, prometem tirar o sono de deputados e senadores. Veras é dono da Construtora Gautama Ltda - o principal elo de um esquema de corrupção envolvendo autoridades federais, governadores, deputados e prefeitos. Ministério da Justiça trabalha com possibilidade de nova rodada de prisões. A expectativa do Ministério da Justiça é de que uma nova rodada de prisões da Operação Navalha aconteça hoje. Novos nomes podem surgir e aumentar ainda a tensão no Congresso com a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta, que levou à prisão 46 pessoas, entre parlamentares, prefeitos, ex-governadores e empresários. O ministro Tarso Genro, evitou analisar politicamente a operação, "até mesmo porque ela envolve diversos partidos, PT, PMDB, PSDB e DEM". Segundo ele, estender às legendas a responsabilidade por ações de indivíduos é uma tática "fascista", condenada por ele . "A depuração ética posterior é um debate que cabe aos partidos, não ao ministro da Justiça".disse Tarso. Na avaliação da polícia, os indícios mais fortes encontrados até agora são suficientes para amparar uma denúncia contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), dois funcionários graduados do Ministério das Minas e Energia, o chefe de gabinete e homem de confiança do ministro Silas Roudeau, Ivo Almeida Costa e um dos responsáveis pelo Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso de Energia Elétrica (Luz Para Todos), Sérgio Luis Pompeu Sá. Lagos, segundo as gravações, teria recebido, através de dois sobrinhos, também presos, R$ 240 mil de propina por favorecer a Gautama na concorrência para implantação e pavimentação da BR 402, no Maranhão. Um dos nomes que surgiram no fim de semana foi o do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que aparece na lista, ao lado de uma cifra de R$ 24 mil referente ao aluguel de um jatinho. Segundo ele, o dinheiro refere-se a um empréstimo que seria tomado de Zuleido por um amigo em comum, o engenheiro e empresário Luiz Gonzaga Salomão, para alugar o avião bimotor que levaria o senador ao enterro do sogro, em Barretos, em 4 de abril deste ano. Hoje, o senador promete colocar uma pá de cal no assunto em pronunciamento no plenário do Senado. Congresso começa semana avaliando os estragos da Operação Navalha. Ontem, o escândalo ganhou mais peso ao ser divulgada, pela Agência Globo, e o Fántastico da Globo. Informação de que relatório da PF acusa o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, afilhado político do senador José Sarney (PMDB-MA), de ter se beneficiado do esquema. Teria incorrido em crime de corrupção passiva. Governador de Alagoas Teotônio Vilela (PSDB) é citado em inquérito da Polícia Federal Teotônio Vilela (PSDB) autorizou obra para empresa após encontro com Zuleido. Apuração também aponta para o ex-governador João Alves Filho (DEM-SE); O inquérito criminal da Operação Navalha da Polícia Federal cita o envolvimento do governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), no esquema de fraude a licitações e obras públicas.Também aparece nas investigações o nome do ex-governador de Sergipe João Alves Filho (DEM), cujo filho, João Alves Neto, está preso. O procurador-geral da República, Antonio Fernando diz: "Existem indícios da participação do governador de Sergipe, João Alves Filho, através do filho, João Alves Neto".
Só uma pergunta aos nobres leitores deste blog: Por quê a oposição não pede a CPI da Gautama?
Do Blog Amigos do Presidente

"DRAMA CAMBIAL" É MENOS INTENSO QUANDO SE COMPARA REAL A OUTRA MOEDAS

Câmbio
As razões para o vigor de exportadores, mesmo com a valorização do dólar, são variadas. Mas há um fator que costuma passar despercebido: moedas de grandes parceiros comerciais do Brasil não têm se desvalorizado como o dólar - algumas até ganharam poder de compra em relação ao real, aponta o economista Bráulio Lima Borges. Leia mais no Terra Magazine.

quarta-feira, maio 16

FANTASMAS ASSOMBRAM SAPUCAIA

Até agora, as lideranças estaduais do PMDB, DEM e PSDB não se manifestaram sobre o envolvimento de vereadores de seus partidos em um esquema de contratação de funcionários fantasmas na Câmara de Vereadores de Sapucaia do Sul, revelado através de matéria do jornalista Giovani Grizotti, da RBS TV. O vereador Luizinho do Sete (PMDB) lidera o ranking dos fantasmas: contratou a mulher, a sogra, o filho e o gerente da loja de carros da qual é proprietário. Ao se defender, o edil argumentou que a revenda de automóveis funciona como uma espécie de extensão do seu gabinete. Outro envolvido é o vereador Ivan da Bia (DEM), cujo assessor de comunicação trabalha em uma farmácia. Já o vereador Neri Araújo (PSDB) empregou a mulher, a filha e uma sobrinha. Nenhuma delas trabalha, de fato, na Câmara de Vereadores.
O presidente da Casa, Nilton Santos (PSC), inicialmente disse desconhecer a existência de funcionários fantasmas, mas a matéria mostrou que ele empregou sua mulher, Irene Vieira dos Santos, sem que a mesma trabalhe na Câmara. Indagada por Grizotti, dona Irene disse que “permanecia em casa em vez de trabalhar por orientação de Santos, pois temia assaltos ou retaliações por ser esposa do presidente da Câmara”. Após a repercussão negativa da matéria, nesta terça-feira todos os dez funcionários que recebiam salários sem trabalhar foram demitidos pela mesa da Câmara. Segundo Nilton Santos, a medida “visa dar mais transparência à investigação do Ministério Público”. O PT de Sapucaia está chamando um ato público de protesto para quinta-feira, às 16h, em frente à Câmara Municipal. Todos os vereadores envolvidos pertencem à base de apoio do prefeito Marcelo Machado (PMDB).

Marco Weissheimer http://rsurgente.zip.net/

terça-feira, maio 15

MUNICIPALIZAÇÃO DAS ESCOLAS ESTADUAIS

A direção do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato) alerta que o governo Yeda Crusius (PSDB) colocou em marcha o processo de municipalização das escolas estaduais. Uma matéria publicada no site do CPERS chama a atenção para a nota divulgada pelo governo do Estado, quinta-feira, em que a Secretaria de Educação informa que “o governo do estado está à disposição das prefeituras para receber pedidos de municipalização de escolas estaduais”. Para o CPERS, o anúncio revela autoritarismo e falta de democracia do governo na relação com a comunidade escolar gaúcha, pois em nenhum momento foi ouvida a opinião de pais, alunos e professores sobre a proposta de municipalização. Essa idéia, acrescenta o sindicato, “reporta a tentativa anterior feita pelo então governador Germano Rigotto através dos contratos de gestão”.

“O governo do Estado tenta mais uma vez se desobrigar da prestação da educação, repassando-a para os municípios, entes da Federação com menor poder de arrecadação de tributos, e que, portanto, terão mais dificuldades para manter a qualidade da educação”, avalia ainda a direção do CPERS. A municipalização é a porta de entrada para a privatização da educação, acrescenta. E adverte: “Os municípios que caírem no canto da sereia, na impossibilidade de manter a estrutura assumida, irão se socorrer na comunidade. Será o momento em que a privatização se concretizará. O CPERS é historicamente contrário à municipalização por entender que a educação não pode ser vista apenas como uma despesa, mas como um investimento essencial para o desenvolvimento humano, fator fundamental para se ter um desenvolvimento econômico com geração de trabalho e justa distribuição de renda”.

domingo, maio 13

DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

César, do Animot, sugere leitura de um artigo do professor de Economia Política, Gar Alperovitz, da Universidade de Maryland (EUA), publicado no New York Times. O artigo trata de uma experiência que estaria em curso na Califórnia, com o governo de Arnold Schwarzenegger. O “exterminador do futuro” teria percebido, segundo o autor, uma verdade essencial: nenhuma grande nação, nem mesmo os Estados Unidos, pode ser bem administrada sem implementar mecanismos de descentralização de poder e de democracia participativa. O que a noção de democracia participativa pode significa em um país com as dimensões e o poder dos EUA? – pergunta o autor. Divisão do poder e descentralização são o caminho de sua resposta. A Califórnia, diz Alperovitz, está implementando políticas próprias em áreas como saúde pública e aquecimento global, distintas daquelas praticadas pelo governo Bush. César fez um resumo do artigo, no Animot. Clique AQUI para ler.

PREOCUPAÇÃO NO PMDB

O governo estadual não havia desmentido, a notícia publicada pelo site Vide Versus, segundo a qual um dossiê sobre um suposto esquema de desvio de recursos dentro do Banrisul teria sido entregue, terça-feira, ao serviço de inteligência da Brigada Militar e à governadora Yeda Crusius (PSDB). Funcionários do Banrisul confirmaram que agentes da Polícia Federal estiveram no banco na semana passada, em Porto Alegre. Uma visita muito discreta. Reina grande inquietação dentro do PMDB com os rumos dessa história. Além das novas denúncias contra a gestão de Fernando Lemos, afilhado político do senador Pedro Simon, o clima da disputa interna segue aumentando com a postura agressiva do deputado federal Eliseu Padilha. Simon já se afastou da presidência do partido no Estado. Enquanto isso, Padilha avança para assumir o controle da sigla no RS. Há quem diga que esses problemas são apenas a ponta de um grande e perigoso iceberg.

Escrito por Marco Weissheimer http://rsurgente.zip.net/