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sexta-feira, maio 29

SIMON E YEDA, LIGADOS PELO MEDO DA OPERAÇÃO SOLIDÁRIA DA POLÍCIA FEDERAL

A Operação Solidária da Polícia Federal, já havia atingido em cheio o PMDB gaúcho de Pedro Simon.Uma das empresas, com indícios de fraudes em obras públicas, a MAC Engenharia, depositou R$ 267 mil na conta da empresa Fonte Consultoria Empresarial, cujos sócios são o deputado Eliseu Padilha (PMDB/RS) e sua esposa.

A Polícia Federal também encontrou envolvimento do deputado estadual e ex-presidente da Assembléia Legislativa, Alceu Moreira (PMDB) e o secretário estadual de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano, Marco Alba (PMDB).

Agora apareceram gravações, obtidas nesta Operação Solidária, entre Walna Villarins (tida como braço-direito de Yeda) e Neide Viana Bernardes, indiciada por crimes como formação de quadrilha, corrupção e crimes previstos na lei de licitações.

Nos diálogos de telefonemas, que a PF viu indícios de conversas cifradas sobre pagamento de propinas:

Walna: Você vai a algum banco hoje?

Neide: Não.

Walna: Aquele lá numa conta seria complicado né?

Walna: E eu vou ter a tempo?

Neide: Eu te ligo em seguidinha, tá bem?

Em outros trechos, Walna diz:

- "...tem que ser dois separados...";

- "...preciso só 20...";

- Neide pergunta se deixa no mesmo lugar e a assessora responde "esse sim, e o outro do outro lado";

- Walna diz "precisar de flores num arranjo só". "Tá bem", encerra a interlocutora.

Neide Bernardes já era apontada pela PF como responsável pelo repasse de dinheiro da Magna Engenharia para Chico Fraga (PTB), ex-secretário-geral do governo Marcos Ronchetti (PSDB) em Canoas.

São esses fatos novos que levam a oposição à Yeda, a pedirem uma CPI contra a um novo lote de escândalos da corrupção tucana.
É o envolvimento do PMDB de Pedro Simon, que leva o senador defender o abafamento de uma CPI com fatos mais do que determinados no Rio Grande do Sul, e a assinar a CPI demo-tucana da PetrobraX, pois cai como uma luva para fazer cortina de fumaça no noticiário desviando o foco do Sul para Brasília.

A que ponto chegou Pedro Simon. Trai seus antigos ideais nacionalistas enfraquecendo a Petrobras no momento em que está em questão o pré-sal, e ainda sacrifica empregos gaúchos, gerados pelos investimentos da Petrobras no estado. Tudo para abafar a corrupção de seu partido no estado.

sexta-feira, junho 20

QUAL O MOTIVO DO SILÊNCIO DA IMPRENSA GAÚCHA?

O jornalista Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, encontrou uma pista para explicar o tratamento cordial - e tardio - dispensado pela mídia hegemônica ao escândalo de corrupção no governo tucano de Yeda Crusius. Pesquisando os documentos que o Ministério Público Federal apresentou contra a quadrilha que roubou o Detran, ele descobriu que os líderes desta maracutaia investiram na formação de opinião pública favorável bancando anúncios publicitários nos jornais gaúchos. Um lobista do PSDB acusado de integrar a máfia diz, numa carta à governadora, que vários colunistas da mídia comercial foram pagos com dinheiro do esquema ilícito.
Na página 56 do documento, o Ministério Público é taxativo: "O grupo investia não apenas na imagem de seus integrantes, mas também na própria formação de uma opinião pública favorável aos seus interesses,ou seja, aos projetos que objetivavam desenvolver. A busca deproximidade com jornais estaduais, os aportes financeiros destinados acontrolar jornais de interesse regional, freqüentes contratações de agências de publicidade e mesmo a formação de empresas destinadas à publicidade são comportamentos periféricos adotados pela quadrilha para enuviar a opinião pública, dificultar o controle social e lhes conferir aparente imagem de lisura e idoneidade".
Colunistas ou mercenários?
O documento não revela quais os jornais ou colunistas que prestaram o serviço sujo à máfia do Detran. Diante da gravidade da denúncia, o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande Sul enviou pedido à CPI que apura o caso para que sejam nominados os profissionais e veículos,"pois não é justo que toda a categoria seja colocada sob suspeição".
Já os jornais estaduais - a rigor, existem apenas dois, Zero Hora e Correio do Povo - fingiram-se de mortos diante da grave revelação do MPF. Até agora, a imprensa gaúcha simplesmente nem citou o trecho do documento.
Além das referências feitas pelo Ministério Público ao braço midiático da máfia, outro indício do envolvimento de jornalistas aparece numa carta do empresário Lair Ferst à governadora Crusius. Nela, o lobista tucano diz ser vítima de campanha difamatória por parte de integrantes da máfia e cita o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, JoãoLuiz Vargas, e José Antonio Fernandes. Segundo confessa, a quadrilha "conta com uma série de colunistas de vários jornais que tem remuneração paga por José Fernandes para plantar notícias". As investigações da Polícia Federal indicam que Ferst se envolveu numa briga interna no grupo pelo controle da rapina do Detran.
Colapso da ética no jornalismo
O lamentável, como afirma Marco Aurélio, é que a imprensa nada divulgue sobre essas relações promíscuas. "Apesar de todas essas informações, a mídia gaúcha decidiu silenciar sobre o tema. Acusados,de forma generalizada, de ter recebido verba publicitária de integrantes da quadrilha, os jornais do Estado não publicaram uma linha sequer sobre esse assunto espinhoso". O mesmo tem ocorrido na mídia nacional. Mas o ruidoso silêncio não é de se estranhar. Há muito que a mídia comercial mantém relações corrompidas com o poder, como prova Bernardo Kucinski no imperdível livro "O jornalismo na eravirtual - ensaios sobre o colapso da razão ética".
Ele mostra que sempre existiu no Brasil uma imprensa "marrom", feita de matérias compradas e de deturpações grosseiras para favorecer grupos econômicos e políticos ou simplesmente para vender mais jornal.
Cita Assis Chateaubriand, que ergueu seu império dos Diários Associados com base num jornalismo inescrupuloso. "A corrupção é uma prática sedutora na indústria de comunicação pelo fato de nela se combinar o poder de influenciar politicamente a opinião pública com opoder econômico. Nenhuma outra indústria tem essa característica. É uma prática também comum entre os jornalistas, por sua proximidade no jogo de influência dos poderosos".

quinta-feira, junho 19

SUMIÇO DE 18 MILHÕES EM CONTRATOS DO BANRISUL GANHA DESTAQUE NACIONAL

A Folha de São Paulo publicou matéria nesta terça-feira sobre o relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado do RS (TCE) que apontou irregularidades como “omissão de receita” de cerca de R$ 18 milhões em contratos do Banco do Estado do RS (Banrisul) com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) para desenvolver projetos de modernização tecnológica. Segundo o relatório, a Faurgs apresentou em sua contabilidade uma receita de R$ 6,2 milhões no exercício de 2006. No mesmo ano, porém, a fundação recebeu só do contrato com o Banrisul (firmado com dispensa de licitação) R$ 24,2 milhões. Outra irregularidade apontada pelo TCE foi a subcontratação, pela Faurgs, de empresas para desenvolver os projetos de modernização tecnológica.
A investigação do TCE foi motivada pelas denúncias encaminhadas pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM), no final de 2007. Feijó vem pedindo a demissão de Fernando Lemos (foto), que preside o banco desde 2002, primeiro ano do governo Germano Rigotto (PMDB). Lemos, ligado politicamente ao senador Pedro Simon (PMDB), foi mantido no cargo por Yeda Crusius, que rechaçou os pedidos de Feijó para que ele fosse demitido. As denúncias de Feijó sobre irregularidades no Banrisul foram a razão pela qual o ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda, Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador para fazer-lhe uma “oferta de trégua” em busca de um “modus vivendi”. Na conversa, Busatto diz que o Banrisul é utilizado para financiar campanhas eleitorais do PMDB. Feijó gravou a conversa e divulgou-a. Segundo o TCE, a Faurgs fez uma intermediação de contratos celebrados de modo irregular, “uma fórmula encontrada para burlar o processo licitatório”.

QUER TER NOTÍCIAS DO RS?

Então lê jornais de São Paulo, Belém, Montevideo, Los Angeles ou Calcutá. Menos os jornais de Porto Alegre, estes estão ocupados com informações relevantíssimas sobre papeleiras, o que seu filho deve saber, mascotes domésticos, fotos da classe média em viagens inesquecíveis, carros & motos, casa & decoração, signos do zodíaco, a última obra esquecível de Lya Luft, o cabelo Lhasa Apso da governadora Yeda, e demais temas palpitantes da hora.
publicado no blog Diário Gauche

quinta-feira, junho 12

NOVA ESCUTA TELEFÔNICA REVELA QUE LAIR FERST AGIA COMO LOBISTA DO DETRAN

Nova escuta telefônica realizada pela PF e divulgada nesta quinta-feira, revela que empresário Lair Ferst agia em nome do Detran. No áudio, que teria sido gravado no dia 1º de novembro de 2007, Ferst estaria tratando de um encontro entre representantes de uma empresa alemã e Vaz Netto. Para a PF, o "ele" que aparece na gravação seria Vaz Netto. A conversa indica que Lair é o intermediador dessa reunião. A gravação é importante, de acordo com a PF, para esclarecer a rede de influência que Ferst montou dentro do Detran para agir como lobista.
Em depoimentos Lair Ferst disse que não mantinha contato próximo com o presidente do Detran, relação também negada por Vaz Netto. Revelação contraditória, pois a conversa gravada pela PF mostra que ele agia sim em nome do Detran.

A POLÍCIA COMO CASO DE POLÍCIA

No texto de Ayrton Centeno publicado no blog RS Urgente, ele descreve o que viu ontem ao participar do protesto contra a corrupção no Governo Yeda.
Benvindos de volta ao mundo das cavernas. A não ser durante a ditadura militar, eu nunca havia visto a Brigada Militar, sem qualquer provocação, atacar pessoas que estavam reunidas em assembléia, discutindo o que fazer diante da proibição – injusta, ilegal e inconstitucional - de exercerem o seu direito inquestionável de irem até às portas do Palácio Piratini e dizerem que não gostam da sua atual inquilina, nem das suas políticas, nem do modo que, segundo seu ex-chefe da Casa Civil, seu governo trata o dinheiro público. Simples, legal e legítimo.
Meninos eu vi! Posso dizer, à la Joel Silveira, porque ainda tenho a memória da obstrução da garganta e da cegueira momentânea que o gás provoca. Apoiada por helicópteros, viaturas e camburões, a tropa de choque do valente coronel Mendes marchou, ombro a ombro, de dois lados, para cima dos manifestantes na frente do parque da Harmonia. Nem as mãos estendidas e os pedidos de calma das lideranças e dos deputados Dionilso Marcon e Raul Carrion contiveram a arremetida. A decisão já fôra tomada. Minutos antes, Mendes, o Bravo, dera uma entrevista no palco dos acontecimentos ao Polícia em Ação, onde descrevera ao repórter Paulão sua visão dos movimentos sociais como “formação de quadrilha” e “baderna”. Terminou a fala anunciando que iria liberar a área imediatamente.

E assim foi feito. À força de cassetetes, bombas de gás e disparos de balas de borracha, os manifestantes recuaram aos trambolhões, enquanto muitas mães arrastavam suas crianças pequenas pelos braços correndo em desespero em busca de abrigo pelo mesmo parque que a cidade – desrespeitando a denominação oficial e postiça que louva o chefe do clã do monopólio da comunicação – chama afetivamente de Harmonia, uma designação sarcástica neste 11 de junho.
No céu, dois helicópteros moviam-se em círculos sobre as árvores, compondo a produção modesta porém esforçada desse Apocalipse Now guasca.

Leonildo Zang, 54 anos, 25 de militância, uma placa de sangue coagulado na testa, foi um dos que correu. “Não entendo isso. A gente estava tranqüilo, não fizemos nada, não ocupamos nada e a polícia veio reprimir. Nunca vi nada dessa natureza. Parece coisa de Hitler!”, pasmou-se.

Zang falava no ambiente ainda empestado pela fumaça e o gás. Cheiro que ele e os demais não apreciaram nem um pouco. Aliás, por falar em cheiro e em Apocalipse Now, no filme de Francis Ford Coppola, uma figura impactante, o tenente-coronel da aeronáutica, Bill Kilgore, joga seus helicópteros num ráide sobre uma vila miserável de pescadores vietnamitas. È uma cena esplêndida que todo mundo lembra: ao som da Cavalgada das Valquírias, esmigalha até o ultimo resquício de resistência e arremata a obra com um bombardeio de napalm na selva contígua. E explica: “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã”. Cheiros são assim, escolhas de intensa subjetividade. Não se sabe qual o cheiro que o coronel Mendes prefere mas, depois de hoje, pode-se presumir que talvez seja o forte odor que emana do governo a que serve.

segunda-feira, junho 9

TENTATIVA DE ENGABELAÇÃO...

Estamos vivendo em um dos piores momentos da imprensa gaúcha. O câncer da corrupção está disseminado no Governo Yeda e a imprensa gaúcha tenta conter o estrago. Faz um papel que causa náuseas a qualquer leitor atento e politizado. Tenta passar a idéia de que há uma crise (coisa passageira), o caso mais marcante foi a chamada de capa do PIG (RB$/ZH) gaúcho de hoje. “Após atrito com aliados Yeda prefere PSDB na Casa Civil”. Atrito? O Governo está afundando em denúncias de corrupção e a imprensa trata como se fosse um atrito entre pessoas?

A revelação do diálogo entre o vice-governador Paulo Feijó e o chefe da Casa Civil César Busatto, onde este confessa que o Estado está loteado e estatais estão sendo usados para financiar campanhas de partidos da base aliada é gravíssimo. E não se trata de atrito.

As escutas divulgadas pela CPI, e na carta em que Lair Ferst endereçou à Yeda, fica evidente que a governadora sabia do esquema. Além da carta a Yeda Crusius, também foi encontrado na sede de uma das subcontratadas do Detran, a Pensant, um conjunto de atas de reuniões nas quais a quadrilha que desviava recursos do órgão registrou orientações administrativas, divisão de lucros, emissão de notas fiscais frias, lavagem de dinheiro e pagamentos de propinas. Mesmo para os padrões de impunidade do Brasil, é impressionante a desfaçatez dos envolvidos ao colocar no papel o organograma de seus crimes.

O vice-governador Paulo Feijó (DEM) desmentiu hoje a governadora Yeda Crusius (PSDB) e confirmou que o empresário e lobista tucano Lair Ferst captou recursos na campanha eleitoral de 2006.
Enquanto isso tudo acontece, a imprensa gaúcha aumenta o nível da hipocrisia e cinismo, esperamos que os gaúchos honrem seu passado. Pois, “povo que não tem virtude acaba por ser escravo” e, neste caso, torna-se escravo de uma prática maléfica de fazer jornalismo e política.
Charge do Kayser

O PIG E SUA ÂNSIA...

O PIG é uma expressão que o Jornalista Paulo Henrique Amorim criou para taxar aquilo que ele chama de imprensa sem escrúpulos, uma imprensa que não é imparcial, tem seu grupo político. Essa expressão se difundiu pelo Brasil inteiro.

O PIG seria o Partido da Imprensa Golpista. PIG em inglês também quer dizer “Porco”. Então vamos a um exemplo do que é ser uma imprensa sem escrúpulos e golpista. O Fato aconteceu com o Jornal do Brasil. Como mostra as fotos.

O Jornal do Brasil dedicou uma pequena nota, em sua edição dominical (08/06/2008), à crise no Estado do Rio Grande do Sul e às denúncias de corrupção envolvendo o governo Yeda Crusius (PSDB). O título da matéria é o seguinte: “Corrupção abala governo do PT”. Acredite se quiser...

ATO CONTRA CORRUPÇÃO NO GOVERNO YEDA

Sindicatos e movimentos sociais do Rio Grande do Sul estão convocando toda a população para um ato público, Hoje, a partir das 14 horas, em frente ao Palácio Piratini. A manifestação é em protesto contra a sucessão de escândalos e denúncias de corrupção envolvendo o governo Yeda Crusius (PSDB). Este será o primeiro ato de uma série que deverá se estender durante a semana. Toda a população está convidada a participar do ato.

A COMEMORAÇÃO DE YEDA E BUSATTO E A NATURALIZAÇÃO DO ABSURDO

O jornalista Marco Aurélio Weissheimer em seu blog RS Urgente traz para o debate a forma em que o governo Yeda trata do momento turbulento e nefasto no qual se encontra.
Segundo Marco Weissheimer, Algumas explicações e atitudes de integrantes do núcleo do governo Yeda Crusius (PSDB) nos últimos dias lembram aquelas adotadas pela aristocracia francesa às vésperas da revolução. As afirmações e atitudes mais absurdas, considerando a crise institucional que vive o Estado, são apresentadas com o máximo de naturalidade, como se ninguém percebesse que há algo de podre no reino do novo jeito de governar. Uma das mais eloqüentes foi revelada pelo ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. No sábado à noite, Busatto foi à casa (aquela) da governadora para comunicar que tinha decidido depor na CPI do Detran nesta segunda-feira. Segundo ele, Yeda aprovou a decisão e, juntos, tomaram um champanhe para comemorar. Comemorar o que, exatamente???

A governadora, por sua vez, gravou um depoimento exibido em horário pago, sábado à noite, reclamando que seu governo está sendo vítima de ataques desleais. Na tarde do mesmo dia, durante entrevista coletiva, Yeda afirmou que seu governo só tem notícias positivas do ponto de vista da qualidade da administração.

Em que planeta, a governadora está vivendo?

quinta-feira, junho 5

"ELA É SEM-VERGONHA MESMO"

Enquanto isso, ouve-se uma voz forte (Vaz Netto) que vem do fundo do valhacouto de malfeitores guascas:
- Ela (Governadora) é sem-vergonha mesmo!

"QUEM VAI DEFINIR É ELA" (GOVERNADORA)!

As conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Rodin, que implodiu um esquema de fraude no Detran gaúcho, revelam com riqueza de detalhes as negociações entre diversos acusados de integrar a quadrilha que, segundo a PF, o Ministério Público e a Justiça Federal, desviaram mais de R$ 40 milhões dos cofres públicos do RS.
Uma das conversas mais impactantes divulgadas quarta-feira é aquela onde o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) sugere ao ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, que ele converse com a governadora Yeda Crusius para saber qual a orientação que deveria ser seguida para resolver um problema relacionado aos contratos do Detran com fundações universitárias ligadas à Universidade Federal de Santa Maria. O problema em questão era a pressão que vinha sendo exercida pelo lobista tucano Lair Ferst, cujas empresas tinham sido excluídas do sistema. Nesta conversa, Dorneu Maciel diz a Vaz Netto: “Quem vai definir é ela” (a governadora Yeda Crusius). Clique AQUI para ouvir.
Outra conversa que causou grande impacto na CPI do Detran é a que traz o diálogo entre Flávio Vaz Neto e o auditor do Tribunal de Contas do Estado, Cézar Santolin. Nesta conversa, o servidor de carreira do TCE avisa o ex-presidente da autarquia da realização de uma inspeção extraordinária no departamento de trânsito para apurar irregularidades em contratos com fundações. Clique AQUI para ouvir.
Charge do Kayser
Publicado no blog: RS Urgente

MARTINI COM OS DIAS CONTADOS PARA PRESERVAR A "JÓIA DA COROA"?

No final da tarde desta quarta-feira, era possível constatar, junto à base do governo Yeda, uma tendência a reeditar a estratégia adotada no episódio do encontro do ex-secretário do Planejamento, Ariosto Culau, com o empresário lobista Lair Ferst. Naquela ocasião, a oposição já vinha tentando convocar o secretário-geral do governo, Delson Martini para depor na CPI do Detran. Martini vinha sendo pressionado pelo ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto, que desejava uma audiência urgente com o secretário. Vaz Netto chegou a ameaçar um novo depoimento na CPI, caso não fosse atendido. Com o episódio do “choppinho”, a base governista entregou a cabeça de Culau para salvar a de Martini.
Agora, diante do conteúdo das gravações telefônicas da Operação Rodin, a cabeça de Martini pode ser entregue para preservar a “jóia da coroa”: a governadora Yeda Crusius. Na Assembléia, há quem aposte: os dias de Martini no governo estão contados.
Publicado no blog: RS Urgente

quarta-feira, junho 4

A CASA CAIU

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), e o secretário-geral do governo estadual, Delson Martini, ficaram em uma situação extremamente delicada nesta quarta-feira. Interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal, durante a Operação Rodin, que investigou a ação de uma quadrilha no Detran gaúcho, indicam o envolvimento da governadora e de seu secretário-geral em tratativas relacionadas a atividades do esquema. O mesmo ocorreu com o deputado federal José Otávio Germano (PP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Germano Rigotto (PMDB). A CPI do Detran divulgou, nesta quarta, o áudio de um conjunto de conversas telefônicas gravadas pela PF. O conteúdo das mesmas provocou um novo terremoto político no Estado. Elas expuseram as mentiras de vários acusados de integrar a quadrilha, em seus depoimentos na CPI.
Em uma das conversas, o ex-presidente do Detran, Flávio Vaz Netto (PP), conversa com o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Antônio Dorneu Maciel (PP) sobre um problema a resolver nos contratos da autarquia com fundações universitárias ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O problema em questão era o descontentamento do empresário e lobista tucano Lair Ferst, cujas empresas tinham sido excluídas do esquema. Dorneu Maciel orienta Vaz Netto a conversar com a governadora e com Delson Martini para saber o que devia ser feito. O ex-diretor da CEEE revela que Lair estava muito descontente e criticava a governadora por seu hábito de “jogar uns contra os outros”. “Pelo jeito agora é guerra”, comenta Vaz Netto. A guerra em questão era a disputa entre grupos dentro do esquema.

Sem Palavras

“Confiança” não é exatamente a palavra mais apropriada para descrever o sentimento dominante na Assembléia Legislativa em relação ao governo Yeda Crusius. “A casa caiu” foi uma expressão corrente, mesmo entre deputados aliados do governo. Para o deputado Elvino Bohn Gass (PT), o conteúdo das gravações comprometem diretamente o núcleo do governo com o esquema de fraude no Detran. O presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT), manifestou-se no mesmo sentido. “As gravações dizem tudo”, resumiu o deputado Gilmar Sossella (PDT). Outro deputado do PDT, Paulo Azeredo, pediu o afastamento imediato de Martini do governo. Em posição delicada ficou o relator da CPI, deputado Adilson Troca (PSDB), que ficou visivelmente constrangido durante a exibição das gravações. Não tinha muito o que dizer.

quinta-feira, maio 29

“O HOMEM DE INTELIGÊNCIA SUPERIOR”

O jornalista Lasier Martins disse na última segunda-feira à tarde (26), na rádio Gaúcha, que o depoimento de Lair Ferst na CPI do Detran “perdeu um pouco a curiosidade” em função do teor das entrevistas que o depoente concedeu ao jornal Zero Hora e à rádio Gaúcha. Na avaliação do jornalista, Ferst foi muito bem preparado por seus advogados de defesa e é um homem “muito preparado”, um homem de “inteligência superior”.

Charge Eugênio Neves

terça-feira, maio 27

AS MENTIRAS DE LAIR FERST

O depoimento de Lair Ferst à CPI, ocorrido nesta segunda-feira (26), foi precedido por uma forte estratégia de marketing pessoal. Há seis meses sem falar com a imprensa, Ferst dedicou o domingo e parte da segunda para conversar com os veículos de comunicação da RBS. Nas entrevistas ao jornal Zero Hora, à Rádio Gaúcha e ao Jornal do Almoço, o lobista antecipou qual seria sua postura na CPI e negou tudo. Chegou a arrancar elogios do jornalista Lasier Martins: "é um homem muito bem preparado", comentou Martins.
Pivô e um dos maiores beneficiários da fraude que desviou mais de R$ 44 milhões da autarquia, Lair contestou todas as acusações que pesam sobre ele. Mas a segurança demonstrada no início da audiência não resistiu aos questionamentos dos deputados. No decorrer do depoimento, as contradições apareceram:

  • A indicação da Fatec

O ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos, disse que a Fatec foi contratada porque foi a única que preencheu os requisitos. Agora, Lair Ferst admitiu que indicou a Fatec para Carlos Ubiratan, seu amigo há mais de 30 anos. Depois de sugerir que o Detran contratasse a fundação, Lair virou funcionário da Fatec. Ele também admitiu que indicou as empresas Newmark Tecnologia e Rio Del Sur, de propriedade da sua família, para trabalhar para a Fatec. Alguém está mentindo.

  • A relação com Chico Fraga

Diferente do que afirmou duas vezes à CPI o ex-secretário-executivo da Fatec, Silvestre Selhorst, Lair Ferst negou que o secretário-geral de Governo da prefeitura de Canoas, Chico Fraga, tenha intercedido a seu favor quando o contrato do Detran com a Fatec foi rompido e a Fundae assumiu. Nesta troca, as empresas dos Ferst foram excluídas. Selhorst sustenta que Chico Fraga tentou negociar uma compensação para Lair Ferst que giraria em torno de R$ 120 mil por mês, isto é, 6% do valor do contrato entre a Fundae e o Detran. De novo, alguém mente.

  • A militância no PSDB

Lair disse que era um militante de base do PSDB. Entretanto, foi coordenador da bancada tucana na Assembléia, indicou um prédio para abrigar o comitê de campanha de Yeda Crusius e assinou como testemunha do contrato de locação do imóvel. Lair Ferst também admitiu que uma sala alugada pela Newmark foi usada para reuniões da chapa encabeçada pela deputada Zila Breitenbach para o diretório do PSDB. Desta chapa, que foi vitoriosa, também participou a governadora.

  • O chope com Culau

Contrariando Ariosto Culau, que negou ter tratado do caso Detran enquanto tomavam um chope, Ferst disse que o ex-secretário falou "que estava livre da força-tarefa dos contratos". Ou seja, o assunto foi falado.

  • As empresas da família

Lair negou ser o verdadeiro dono das empresas Newmark Tecnologia e Rio del Sur e disse que tinha apenas uma "procuraçãozinha" destas empresas. O presidente da CPI, Fabiano Pereira, leu o teor do documento. "Representar, gerir e administrar todos os negócios, como comprar e vender mercadorias, comprar imóveis, pagar e receber contas, admitir e demitir funcionários, representar as empresas perante os bancos e contas correntes, representar as empresas diante todos os órgãos municipais, estaduais e federais, receber correspondências, assinar requerimentos e duplicatas."

  • Escancarado

"Não há dúvidas de que Lair Ferst foi um dos principais articuladores do esquema criminoso que agiu a partir do Detran. Só as empresas da sua família ganharam cerca de R$ 21 milhões. Isto é, dos 44 milhões desviados do Detran, metade foi destinada às empresas Ferst. E o Ministério Público de Contas concluiu que eles receberam estes milhões por um trabalho fantasma, que inexistiu", apontou Fabiano Pereira.

Conforme a deputada Stela Farias, o movimento financeiro das empresas Ferst também atesta que Newmark e a Rio del Sur foram criadas exclusivamente para escoar a propina. Os laranjas Rosana Ferst, Elci Ferst e Alfredo Telles, respectivamente irmãs e cunhado de Lair Ferst, movimentaram somente 10% do total que ingressou nas contas. O resto, segundo a Polícia Federal e o MP, foi usado para distribuir a propina para os integrantes da quadrilha. "Além disso, Lair Ferst teve despesas pessoais, como viagens, planos de saúde, supermercado, veículos e cartão de crédito, pagas pela Rio del Sur, que também fez doação em dinheiro", revela Stela Farias. Aliás, Chico Fraga e o prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti, também fizeram turismo às custas da Rio del Sur.

CASA & COMPANHIA

Lair Ferst, Chico Fraga, Alfredo Telles (cunhado de Ferst) e Patrícia Bado dos Santos (mulher de Bira, ex-presidente do Detran) têm algo mais em comum, além do fato de terem sido denunciados pelo Ministério Público Federal como integrantes da quadrilha que assaltou o Detran. Todos moram em mansões. Também há outro ponto em comum: nenhum acertou na mega-sena. Só a Rio Del Sur, que tem Lair Ferst como verdadeiro dono, e é uma das empresas que mais lucrou com o contrato Detran/Fatec, possui três imóveis de luxo, dois deles avaliados em mais de R$ 1 milhão.
A governadora também faz parte do seleto grupo de assalariados que conseguem comprar residências com valor de mercado superior a R$ 1 milhão.
Difícil mesmo deve ser escolher a casa na hora das festas.

"EU, HOJE, TENHO MAIS FORÇA PARA DESTRUIR DO QUE CONSTRUIR"

No início de seu depoimento ontem (26/05) à CPI do Detran, Lair Ferst expôs duas contradições relativas ao depoimento do ex-presidente do Detran, Carlos Ubiratan dos Santos, e a seu envolvimento com o secretário-geral de governo de Canoas, Chico Fraga. Ferst disse que passou o telefone da Fatec para Ubiratan, seu amigo há 30 anos, e sugeriu a fundação para o contrato visando a realização dos exames teóricos e práticos. Além disso, admitiu ter participado de uma reunião com Ubiratan e representantes da Fatec para discutir o contrato. Já o ex-presidente do Detran disse que a Fatec foi escolhida por ter sido a única fundação a responder a carta-convite emitida pelo órgão.
Em seu depoimento à CPI, o diretor da Fundação Carlos Chagas, Rubens Murillo Marques, afirmou que a entidade não recebeu nenhuma carta-convite para apresentar uma proposta de trabalho, após o fim do contrato que mantinha com a autarquia, em 2003. “Se houvesse licitação, iríamos participar”, garantiu.
Quanto a Chico Fraga, Ferst disse que “ficou surpreso” ao ouvir que ele estaria intercedendo a seu favor. “Meu relacionamento com ele é político. Encontrei com ele algumas vezes mas não tinha qualquer negócio com ele”. Não foi o que disse o ex-diretor-presidente da Fatec, Luiz Carlos de Pelegrini que confirmou, na CPI, que Fraga intercedeu por supostos “direitos” de Lair Ferst junto ao governo.
Na primeira parte de seu depoimento, Ferst negou que tenha trabalhado como coordenador ou captador de recursos na campanha de Yeda Crusius. Mas lançou uma frase enigmática: “eu hoje tenho mais força para destruir do que para construir”. E partiu para a ofensiva, acusando o presidente da Fundação Carlos Chagas de ter mentido na CPI. "A Fatec se baseou no modelo da Fundação Carlos Chagas, que terceirizou inclusive o objeto principal do contrato".
Foto: Guerreiro/Agência Assembléia
Fonte: Blog RS Urgente

quinta-feira, maio 8

NÃO VAMOS DEIXAR YEDA ENTERRAR A CPI DO DETRAN

Eu gostaria de chamar a atenção de vocês para o fato de que, na medida em que a CPI do Detran avança nas investigações, aumenta a chance de desmascarar o governo Yeda Crusius(PSDB). E como resposta a isso, ela mobilizou a sua tropa de choque para "enterrar a CPI".
Esta é uma oportunidade ímpar de esclarecer todos esses episódios nebulosos que envolvem seu governo. E para isso temos que pressionar a base de apoio yedista na comissão a assinar o requerimento para a continuidade das investigações parlamentares.

Com as assinaturas, se as conseguirmos em números suficiente, a gente impede que a CPI seja "enterrada" como a Yeda quer.

Este é o endereço. É só clicar e assinar. O Rio Grande do Sul agradece a sua participação.

quarta-feira, maio 7

YEDA NÃO CONSEGUE EXPLICAR COMPRA DA CASA

O tiro saiu pela culatra. O líder do governo na Assembléia, Márcio Biolchi (PMDB), chegou na sessão desta segunda-feira (5/5) com uma informação que julgava ser um grande trunfo: a Polícia Federal declarou que, nas investigações sobre a fraude do Detran, não há menção sobre um suposto cheque no valor de R$ 400 mil emitido por Lair Ferst e que teria sido usado para comprar a casa que a governadora adquiriu logo após as eleições de 2006. A existência do cheque havia sido mencionada pelo delegado de polícia Luiz Fernando Tubino, quando ele foi ouvido pelos deputados da CPI.
A euforia durou pouco e os deputados que formam a base da governadora no Legislativo terminaram tendo que dar explicações. A Polícia Federal se manifestou única e exclusivamente sobre o cheque. Mas a verdade é que, somando todos os valores dos bens declarados pela governadora, o total é inferior ao pago pela propriedade, que teria custado R$ 750 mil.

Segundo a governadora, para reunir os R$ 750 mil, ela vendeu um apartamento de Capão da Canoa (R$ 140 mil), um apartamento em Brasília (R$ 206, descontado a dívida junto à CEF), um carro (R$ 27 mil) e resgatou aplicações financeiras (R$ 130 mil). Tudo isto junto dá R$ 503 mil. Considerando que ainda há R$ 27 mil que foram pagos de ITBI, faltam R$ 274 mil. Mais um detalhe: o apartamento de Capão não poderia ser vendido por estar indisponível; em nome da construtura e não da família Crusius.

O deputado Elvino Bohn Gass entende que a CPI precisa de explicações completas sobre as fontes do dinheiro usado para a aquisição da residência em Porto Alegre. Para ele, a própria negociação da casa não está bem explicada, já que o vendedor, Eduardo Laranja, responde a 65 processos de execução. A deputada Stela Farias reiterou o pedido de esclarecimentos. “Se juntarmos todo o patrimônio declarado da governadora ainda faltam mais de R$ 250 mil para chegar ao valor da compra, de R$ 750 mil. E nós sabemos que a casa foi avaliada em R$ 900 mil pela prefeitura”, argumentou.

O presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira, reforçou a tese de que as explicações necessárias não estão relacionadas à existência ou não de um cheque no inquérito policial, mas a outras dúvidas suscitadas pela análise dos documentos públicos sobre o negócio de compra e venda da atual residência da governadora. Fabiano lembrou que na declaração de bens da candidata Yeda Crusius o apartamento de Capão da Canoa foi arrolado com um valor de R$ 37 mil. “Se considerarmos a valorização, o apartamento deve estar valendo no máximo R$ 140 mil. E mesmo assim encontra-se alienado, não podendo ser vendido. Quero, como deputado, aproveitar a oportunidade e pedir as explicações necessárias”, afirmou Fabiano.