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domingo, abril 6

PARA COMBINAR COM O OUTONO. UMA POESIA

ELA
Ela talvez seja o rosto que eu não consigo esquecer
O caminho para o prazer ou para o desgosto
Talvez seja meu tesouro ou o preço que eu tenho que pagar
Ela talvez seja a música de verão
Talvez seja o frio que o outono traz
Talvez seja centena de coisas diferentes

Em um dia inteiro
Ela talvez seja a beldade ou a crueldade
Talvez seja a fome ou a abundância
Talvez transforme cada dia em um paraíso ou em um inferno

Ela talvez seja o modelo de todos os meus sonhos
O sorriso refletido em um rio
Ela talvez não seja o que ela parece
Dentro dela mesma

Ela, que sempre parece tão feliz no meio da multidão.
De quem os olhos parecem tão secretos e tão orgulhosos
Ninguém pode vê-los quando eles choram
Ela talvez seja o amor, que não espera que dure.
Certamente, são lembranças do passado.
Que eu irei me lembrar até o dia de minha morte
Ela talvez seja a razão pela qual eu vivo

O porquê e pelo que eu estou vivendo
A pessoa que cuidarei nos tempos e nas horas mais difícieis
Eu irei levar os sorrisos e as lágrimas dela
E farei delas todas as minhas recordações
Para onde ela for, eu tenho que estar lá
O sentido da minha vida é ela
Ela..... oh, ela

domingo, dezembro 9

NÃO TE QUERO...

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

sábado, outubro 6

PENSE NISSO!


Ainda que eu falasse a língua do homens.
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal.
Não sente inveja ou se envaidece.
O amor é o fogo que arde sem se ver.
É ferida que dói e não se sente.
É um contentamento descontente.
É dor que desatina sem doer.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria.
É um não querer mais que bem querer.
É solitário andar por entre a gente.
É um não contentar-se de contente.
É cuidar que se ganha em se perder.
É um estar-se preso por vontade.
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.
Estou acordado e todos dormem
todos dormem todos dormem.
Agora vejo em parte.
mas então veremos face a face.
É só o amor, é só o amor.
Que conhece o que é verdade.
Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria.
(Monte Castelo - Legião Urbana)

quarta-feira, setembro 12

AMOR, QUANTOS CAMINHOS (Pablo Neruda)

“ Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.”

Pablo Neruda