A Folha de São Paulo publicou matéria nesta terça-feira sobre o relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado do RS (TCE) que apontou irregularidades como “omissão de receita” de cerca de R$ 18 milhões em contratos do Banco do Estado do RS (Banrisul) com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs) para desenvolver projetos de modernização tecnológica. Segundo o relatório, a Faurgs apresentou em sua contabilidade uma receita de R$ 6,2 milhões no exercício de 2006. No mesmo ano, porém, a fundação recebeu só do contrato com o Banrisul (firmado com dispensa de licitação) R$ 24,2 milhões. Outra irregularidade apontada pelo TCE foi a subcontratação, pela Faurgs, de empresas para desenvolver os projetos de modernização tecnológica.A investigação do TCE foi motivada pelas denúncias encaminhadas pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM), no final de 2007. Feijó vem pedindo a demissão de Fernando Lemos (foto), que preside o banco desde 2002, primeiro ano do governo Germano Rigotto (PMDB). Lemos, ligado politicamente ao senador Pedro Simon (PMDB), foi mantido no cargo por Yeda Crusius, que rechaçou os pedidos de Feijó para que ele fosse demitido. As denúncias de Feijó sobre irregularidades no Banrisul foram a razão pela qual o ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda, Cézar Busatto (PPS), foi conversar com o vice-governador para fazer-lhe uma “oferta de trégua” em busca de um “modus vivendi”. Na conversa, Busatto diz que o Banrisul é utilizado para financiar campanhas eleitorais do PMDB. Feijó gravou a conversa e divulgou-a. Segundo o TCE, a Faurgs fez uma intermediação de contratos celebrados de modo irregular, “uma fórmula encontrada para burlar o processo licitatório”.

















Lair Ferst, Chico Fraga, Alfredo Telles (cunhado de Ferst) e Patrícia Bado dos Santos (mulher de Bira, ex-presidente do Detran) têm algo mais em comum, além do fato de terem sido denunciados pelo Ministério Público Federal como integrantes da quadrilha que assaltou o Detran. Todos moram em mansões. Também há outro ponto em comum: nenhum acertou na mega-sena. Só a Rio Del Sur, que tem Lair Ferst como verdadeiro dono, e é uma das empresas que mais lucrou com o contrato Detran/Fatec, possui três imóveis de luxo, dois deles avaliados em mais de R$ 1 milhão.








Deserções à parte, o que se sabe é que Lair teve participação ativa na campanha de Yeda, envolveu-se na negociação da mansão que ela comprou na Chácara das Pedras, tem relações imobiliárias com prédios que serviram de comitês eleitorais tucanos e ainda mantém relações muito próximas com o centro do governo. É amigo íntimo, por exemplo, de Marcelo Cavalcante, ex-chefe de gabinete de Yeda e atual “embaixador” do governo em Brasília e que recente e estranhamente foi guindado ao status de secretário de estado. Aliás, Lair foi um dos convidados de honra da governadora para a festa de inauguração da “embaixada”. Tão perto assim do governo e tendo conseguido muito dinheiro para a campanha, segundo ele mesmo falou a conhecidos na época, Lair parece ter mesmo créditos a cobrar da tucanada que vem fazendo o que pode para mantê-lo em obsequioso silêncio. O chopinho pode ter sido mais uma dessas tentativas. 














